"Diligência" Coach percorre a estrada de Santa Fé

"Go West Young Man. Go West": foi este o conselho de Horace Greeley, jornalista do século XIX. E Stuart Vevers assim fez na primavera, transformando uma visita a Santa Fé, Novo México, em março passado, numa nova e brilhante interpretação da moda e da tradição americanas. 

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Coach - primavera-verão 2019 - Moda Feminina - Nova Iorque - © PixelFormula

Tratou-se de uma mistura de nostalgia western, personagens da Disney, contra-cultura artística de Santa Fé e de todas aquelas personagens alternativas e originais que tornaram a cidade famosa.
 
"Santa Fé. Sim! Passei 24 horas lá. Visitei um rancho fantasma e o Trilho Turquesa. Adorei todas estas comunidades que encontrámos pelo caminho. Onde tudo é feito de reciclagem e onde podemos ver casas construídas com uma asa de avião. E acabei num excelente bar clandestino. E então, acordei na manhã seguinte e aí estava o meu tema", disse Stuart Vevers à FashionNetwork no backstage, depois de posar para fotografias com Whoopi Goldberg.

O primeiro resultado óbvio foi o cenário notável, uma brilhante pièce de résistance proposta pelo produtor de desfiles francês Stefan Beckman. No centro, um enorme Tiranossauro feito de peças de metal enferrujadas, postes retorcidos, revestimentos de alumínio amassado, rodeados por um Volkswagen Beetle em chamas, motos derrubadas, barris de petróleo e um motor de automóvel enferrujado.
 
Não esqueçamos que o filme de 1940, A Estrada de Santa Fé (com Olivia de Havilland, Errol Flynn e Ronald Reagan), proclamava Santa Fé "a cidade onde terminou o caminho de ferro e a civilização".

Havia tantas personagens bem-humoradas e sem rei, nem lei na coleção de Stuart Vevers. De motoqueiros hipsters em casacos de motard com logótipo de Disney, a trench coats de patchwork de couro e blusas de professora da pradaria, mini vestidos com estampados de palmeira e rudes casacos de corrida em camurça. Tudo associado a calçado notável, um cruzamento entre sapatilhas high-tops, franjas Comanche e botins de squaw.
 
Um estrangeiro que sempre teve a capacidade de aprender muito rapidamente, Stuart Vevers parece ter compreendido exatamente o que os jovens cool querem usar atualmente, melhor até que os próprios designers americanos.

Para Stuart Vevers, a sua Olivia de Havilland foi Dree Hemingway, bisneta de Ernest, o lendário escritor, despojada de todos as suas madeixas, como uma Joana d’Arc, que desfilou em torno do T -Rex para o final, usando um vestido de folhos, uma sweat com capuz com uma imagem do Bambi e um brinco em formato de garfo. 

Desde que chegou à Coach, em junho de 2013, Stuart Vevers tem explorado a Americana, e fez até uma viagem de comboio de duas semanas pelos Estados Unidos para encontrar novas ideias. As suas excursões ajudaram-no a imaginar uma obra notável, que inclui nomeadamente uma formidável coleção em homenagem ao Radiant Boy, de Keith Haring, ou ainda um desfile inspirado nos motociclistas fora da lei do Oeste.
 
As suas ideias também impulsionaram a Coach em termos comerciais. Embora as vendas tenham caído marginalmente 0,08% em 2017, o volume de negócios ainda foi de 4.488 milhões de dólares, um número impressionante. Não há nenhum outro designer britânico à frente de uma marca de acessórios desta dimensão.

De facto, pode verdadeiramente dizer-se que Vevers, de 44 anos, é o maior sucesso da Grã-Bretanha em matéria de exportação de moda criativa. Nada mal para um jovem nascido em Carlisle, o porto mais setentrional e isolado de Inglaterra. Não admira que no backstage, a sua mãe, Barbara, estivesse tão orgulhosa.

Traduzido por Estela Ataíde

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