"Manifestação" de Lagerfeld ocupa o Boulevard Chanel em Paris

Paris (Reuters/EP) – A vida é ótima no Boulevard Chanel, a fachada de rua criada pelo estilista Karl Lagerfeld para o seu desfile de pronto-a-vestir esta terça-feira (30), onde manequins longilíneas, vestindo peças caras, realizaram uma falsa manifestação como parte do espetáculo.
Foto: Cara Delevingne Instagram.

O comentário de Lagerfeld sobre a inclinação dos franceses a protestos desatou gargalhadas na plateia elegante reunida no Grand Palais, cercado nos quatro lados por um pano de fundo imenso a retratar um bairro parisiense chique.

Na versão aprimorada da realidade de Lagerfeld, não se viam os famosos grafites de Paris, nem sujeira de cachorro empanando o brilho do Boulevard Chanel, só as dezenas e dezenas de ternos e vestidos de tons brilhantes do enérgico criador alemão.

No encerramento, super manequins como a brasileira Gisele Bündchen e a britânica Cara Delevingne fizeram uma passeata urbana ao som do hino feminista de Chaka Khan, "I'm Every Woman".
Chanel, um desfile que começou bem colorido. Foto: Pixel Formula

Armadas com megafones, as manequins agitavam cartazes com os dizeres “Os direitos das mulheres estão mais do que direito”, “Podemos marchar como os machões” e “Divórcio para todos”, acompanhadas de Lagerfeld, sempre de óculos escuros, rabo de cavalo e iPhone à mão.

Depois do espetáculo, Lagerfeld descartou qualquer mensagem política grandiloquente, dizendo simplesmente que parecia “certo aquele momento”.

“Não me faço questionamentos políticos a esse nível”, afirmou, ainda que tenha reconhecido que o cartaz “Divórcio para todos” tenha sido um deboche dos críticos da lei francesa do casamento gay, aprovada no ano passado.

“Cinquenta por cento dos casamentos terminam em divórcio, então esqueça!”, declarou.

No que respeita ao vestuário, Lagerfeld empregou tons de arco-íris e florais brilhantes, rompendo audaciosamente com a sua própria paleta de pintor.
A manequim Gisele Bündchen não poderia ficar de fora do desfile Chanel. Foto: Agência Fotosite

Os faots de tweed clássicos da Chanel, em preto e cinza, tiveram como contrapartida blusas em tons psicodélicos, uma justaposição do sensível e do ultrajante que permeou a colecção.

Capas em combinações vívidas de fúcsia, escarlate, turquesa e amarelo lembravam aquarelas caleidoscópicas, às vezes combinadas com um forro de bolinhas e uma decoração floral multicolorida adornando vestidos e tops feitos de contas metálicas brilhantes.

A colecção, que ainda incluiu malhas estilo marinheiro e com faixas brancas e fatos risca de giz brilhantes com calças folgadas, recebeu um toque feminino excêntrico com as golas brancas amplas, lembrando as pinturas flamengas do museu do Louvre.

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