A loja que vende ideias

O serviço personalizado é uma peça chave na marca de Tony Miranda – principalmente em Lisboa, na Avenida da Liberdade, onde têm um espaço de atelier privado, que funciona sob marcação.


Tony Miranda é conhecido como o único criador português de alta-costura – mas desengane-se quem acha que vestir roupas deste estilista está reservado para dias especiais. No seu espaço homónimo em Guimarães há uma linha prêt-à-porter que rouba da haute couture a qualidade e a unicidade de cada peça, transformando as roupas do dia a dia em algo mais especial.

Com coleção para homem e senhora, a par dos acessórios, a loja na cidade berço tem as portas abertas desde 1989. Com uma produção literalmente vertical, é nesse mesmo edifício que se desenham, concebem, nascem e se provam todas as criações com a assinatura Tony Miranda – assim como toda a parte burocrática e de armazenamento.

Em todas as roupas do criador os materiais são, a par do design, os reis. “Não trabalhamos com materiais que não sejam de qualidade – utilizamos sobretudo fibras naturais”, diz Ana Fidalgo, diretora criativa da marca. “A linha prêt-à-porter não descura nem a qualidade nem o conforto”, acrescenta, explicando também que o pronto-a-vestir é em série limitada – só fazem duas ou três peças do mesmo modelo.

O serviço personalizado é uma peça chave na marca de Tony Miranda – principalmente em Lisboa, na Avenida da Liberdade, onde têm um espaço de atelier privado, que funciona sob marcação. É estudada a nomenclatura de cada cliente, desenhando-se e propondo-se depois os materiais e o modelo das peças que cada um deseja. “O que nós vendemos são ideias, a roupa é apenas o mote que trabalhamos sobre o corpo de cada cliente”, explica Ana Fidalgo.

Para além da linha prêt-à-porter, a roupa de cerimónia continua a ser importante para a marca do criador que, durante mais de uma década, trabalhou no atelier de Ted Lapidus, em Paris. “As pessoas apercebem-se que as roupas fazem a diferença – e num casamento, por exemplo, ninguém quer estar com um vestido que já foi reproduzido milhares de vezes, com o risco de haver alguém com um igual”, explica a diretora criativa. “Temos muitas propostas interessantes na nossa loja de Guimarães e procuramos chegar sempre ao gosto de cada cliente, trabalhando as peças nos corpos de cada um”.

A cidade berço pode não ser o local mais óbvio para abrir uma loja deste estilo, mas o centro histórico casa com tradição e o voltar às origens que as roupas de Tony Miranda proporcionam, ao mesmo tempo que inovam e surpreendem com o passar das épocas e estações. “Esta loja, no centro de Paris, seria um sucesso – aqui, há quem tenha medo de entrar”, conta Ana Fidalgo. Mas a partir do momento em que entram, é raro saírem sem vontade de voltar: “o nosso cliente tem vontade de vir, ver, experimentar, sentir as peças – e normalmente voltam, nem seja um ou dois anos depois, porque se lembram e porque a qualidade compensa”.

Quase citando Fernando Pessoa, Deus quer, Tony Miranda sonha e a obra nasce. Porque tudo o que sai da loja passa pelas mãos do criador, conferindo a todas as peças uma coerência que espelha o percurso, conceito e a história da marca que, como Ana Fidalgo refere, “é impossível de comparar com qualquer outra”.

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