Andorine voa mais alto

Fundada em 2015 a pensar no mercado internacional, a marca de moda infantil Andorine tem aberto as asas e, tal como o animal que lhe dá nome, tem migrado para várias paragens, com ninho já montado no Barney’s em Nova Iorque e no universo virtual da Farfetch.


A portugalidade é um dos valores intrínsecos à marca, não fizesse a andorinha que lhe dá nome e imagem lembrar as típicas figuras de cerâmica criadas por Raphael Bordallo Pinheiro no final do século XIX. Mas foi com os olhos postos lá fora que Luísa Amorim e Maria João Lito deram corpo e alma à Andorine.

«Viajamos muito pelo mundo, conhecemos bem a portugalidade no melhor sentido e achamos que na indústria têxtil em Portugal sempre se produziu com imensa qualidade, com imenso detalhe, existe know-how produtivo e criativo, mas existem poucas marcas de grande qualidade assumidas no mercado externo», explica Luísa Amorim ao Jornal Têxtil. «Fizemos um estudo e decidimos lançar uma marca de imensa qualidade e diferenciadora para o mercado internacional – sempre foi esse o objetivo», acrescenta.

A Andorine nasce, por isso, como uma marca de nicho, “made in Portugal”, num segmento voltado para a moda, focada para meninas numa faixa etária dos 8 aos 12 anos – embora tenha alargado, nesta coleção para a primavera-verão 2018, até aos 16 anos. «Consideramos que as crianças dos seis aos 12 anos têm muito acesso à comunicação, às tendências, à televisão e querem moda, querem ter um ar muito “cool”», justifica.

As peças procuram, deste modo, pautar-se pela diferença em termos de estilo, com um conceito de “soft luxury”. «Misturam muito o que é o luxo com a questão do conforto, que a criança possa usar todos os dias», refere Luísa Amorim. A quarta coleção, para a estação quente do próximo ano, é prova disso, sendo constituída por vestidos denim, jardineiras em linho e “sweatdresses”, em cores como vermelho, rosa, areia e tons metálicos.

Para já sem vendas em Portugal, foi em Nova Iorque que a marca encontrou o seu mercado natural. «Achávamos que Nova Iorque tinha um consumidor muito eclético, muito “fashion driven” – era um teste para nós. E confirmou-se. Arranjámos logo um agente e entramos no Barney’s à primeira», revela Luísa Amorim. «Eles gostam de arriscar em marcas novas. Os europeus, nesse aspeto, são mais conservadores», afirma Maria João Lito. Em termos de mercados, as apostas para a marca «são claramente os EUA, Reino Unido, o Médio Oriente e alguns países asiáticos, não todos», enumera Luísa Amorim.

O mundo digital está igualmente a ser explorado pela Andorine, que está à venda na plataforma Farfetch. Segundo Luísa Amorim, «o conceito da Farfetch é extremamente dinâmico e temos optado por fazer esta conexão porque dá uma grande visibilidade. Está lá a nossa gama toda e a Farfetch é cada vez mais conhecida no mundo inteiro».

Com a presença em cerca de 50 pontos de venda, as metas da Andorine não passam pela loja própria, mas pela consolidação da sua posição. «O objetivo para as próximas quatro coleções é conseguirmos angariar o maior número de agentes, o maior número de lojas e conseguirmos ter, cada vez mais, uma coleção consistente – mas o nosso objetivo não é produzir muitas peças, porque é uma coleção de nicho», conclui Luísa Amorim.

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