Apontado como futuro CEO, Georges Kern surpreende com saída antecipada da Richemont

Georges Kern, que havia sido identificado como potencial CEO da Richemont, grupo proprietário de marcas como Chloé e Alaia, deixou abruptamente a empresa do mercado de luxo apenas quatro meses após assumir a direção da divisão de relógios. O executivo estaria embarcando em um projeto para impulsionar a marca rival Breitling.


IWC

A saída de Kern, que esteve na Richemont por 17 anos, é uma supresa, pois o grupo de marcas como Cartier, IWC, Montblanc, entre outras, recentemente teve uma mudança na estrutura de sua gestão, que implicou na divisão dos cargos mais altos entre alguns herdeiros.

O jornal suíço "Le Temps" informou que Kern já está atuando na marca rival suíça de relógios Breitling e planeja reergue-la. A Breitling não fez declarações, mas a Richemont confirmou.

“Foi oferecido a Georges uma oportunidade interessante para se tornar um empreendedor", disse o presidente Johann Rupert em um comunicado. "Ele teve uma carreira bem sucedida na IWC Schaffhausen e lhe desejamos o melhor".

Kern, que liderou a IWC por 15 anos, se encontrou anteriormente com ex-executivo da Montblanc, Jerome Lambert, para conversar sobre o cargo de CEO. "Kern foi apontado como possível futuro CEO do grupo, mas a empresa mudou recentemente para uma estrutura de comitê depois que Richard Lepeu se aposentou do cargo de CEO", disse o analista da Kepler Cheuvreux, Jon Cox. "Ele pode ter pensado que a estrutura não era para ele".

Em uma reorganização anunciada em novembro passado pela empresa, Lambert assumiu a responsabilidade por todos os negócios da empresa, com exceção das jóias e relógios, enquanto Kern foi nomeado chefe da divisão de relógios, marketing e digital. Eles assumiram suas novas funções menos de quatro meses atrás.

As outras marcas de relógios e jóias da Richemont são Jaeger-LeCoultre, Van Cleef & Arpels e Piaget. As marcas de relógios de luxo têm enfrentado diminuição da demanda em seus maiores mercados, Hong Kong e Estados Unidos, e a crescente concorrência da Apple.

MUDANÇAS NO TOPO

O movimento não convencional para abolir o cargo executivo mais alto faz parte dos esforços do investidor Johann Rupert para rejuvenescer a administração e a direção do grupo que tem sede em Genebra.

Rene Weber, especialista em luxo, do banco suíço Vontobel, disse que os rumores sobre a possível partida de Kern circulavam há meses, não tornando seu pedido de demissão uma supresa. "Nós o reconhecemos (Kern) como um forte líder e uma pessoa emocional, que também pode causar tremores", disseram analistas de Zuercher Kantonalbank em uma nota na sexta-feira. "Aparentemente, o novo papel não lhe permitiu satisfazer seu potencial".

O grupo foi atingido por uma severa e prolongada queda da indústria de relógios, que viu as vendas de relógios da Richemont (que representam pouco menos da metade das receitas do grupo) diminuírem 15% no ano passado.

Apesar de obter alguma recuperação nos últimos meses, em maio a Richemont divulgou uma nota citando preocupação com o clima geopolítico e comercial volátil.

"Nós não assumimos que a mudança abrupta está relacionada a qualquer deterioração no negócio de relógios", disseram analistas da Zuercher Kantonalbank, apontando para as recentes melhorias nas vendas de relógios da Richemont.

A Richemont informou que a divisão de relógios, bem como as áreas de marketing e digital se reportarão diretamente ao comitê executivo sênior.

Traduzido por Novello Dariella

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