As forças do athleisure

O athleisure, que injetou o desporto no quotidiano dos consumidores, foi tendência do ano em 2016, mas, desde então, tem tido altos e baixos com a saturação do mercado e falências, por um lado, e a crescente preocupação com a saúde e a adoção de um vestuário de trabalho mais casual, por outro.


Desde 2015, a tendência que alia o vestuário desportivo e a moda tem vindo a dominar o mercado mundial de vestuário, com um número crescente de pessoas a optar por activewear mesmo quando não está a praticar qualquer atividade física.

Para alguns analistas, até agora, o athleisure – que só nos EUA agrega 44 mil milhões de dólares (aproximadamente 35,8 mil milhões de euros) – é a tendência de moda que define o século XXI.

O seu nascimento está intimamente ligado à Lululemon, mas, desde 2015, não houve marca desportiva, de luxo ou da moda rápida capaz de ignorar a tendência. Já mais tarde, as marcas de acessórios e cosmética também entraram na corrida do athleisure, com novas gamas de artigos.

Como prova da sua relevância, o termo conseguiu mesmo uma entrada no dicionário, sendo definido pela editora Merriam-Webster como “vestuário casual desenhado para ser usado tanto para fazer exercício como para uso em geral”.

As origens

A editora provou mesmo que as origens do termo são mais antigas, bem mais do que 2015. A primeira citação em arquivo remonta a 4 de março de 1976, incluída num anúncio publicado no jornal texano El Paso Herald Post: «Calçado de athleisure da Dunham. um dos maiores fabricantes de botas e sapatos da América…».

Trata-se de um anúncio a um modelo de sapatilhas, um artigo nuclear da tendência de athleisure. Provavelmente, não por coincidência, esses também foram os primeiros anos da ascensão meteórica da Nike, quando o futuro gigante do calçado desportivo aproveitava a maré de crescimento do vestuário de atletismo casual, um pouco por todos os EUA.

Todavia, foi quando a Lululemon vendeu o seu primeiro par de “Boogie Pants” (leggings agora merecedoras de uma exposição no MoMA) em 1998, que o mercado percebeu que existia ali algo que valia a pena explorar.

A Lululemon foi a primeira empresa do género a concentrar-se num público-alvo constituído por mulheres desportistas, genuinamente preocupadas com a sua imagem, mas práticas ao ponto de exigirem peças de desporto para usar fora do perímetro do ginásio.

Em dezembro de 2016, a Lululemon anunciava que, no seu último trimestre, a receita líquida havia subido 13%, para os 544,4 milhões de dólares, superando as previsões dos analistas.

A saturação

Esse look “pós-ginásio” rapidamente começou a ser destacado em passerelles e montras, estimulando a criatividade de marcas e retalhistas.

Athleta, Beyond Yoga, Net-a-Porter, Under Armour, Lily Lotus, Nike, Adidas, Reebok, Old Navy, H&M, Target, Fabletics, Bandier, Vie Active, Ramy Brook, GapFit, Nancy Rose, Outdoor Voices, Sweaty Betty, ADAY, Prana, Victoria’s Secret, Mika ou Soybu são apenas algumas das marcas com artigos destinados aos amantes do fitness ou, simplesmente, de vestuário confortável.

Depois, há ainda as linhas de fitness de celebridades como Selena Gomez, Heidi Klum, Carrie Underwood e Jessica Simpson, porque, na opinião dos especialistas da Fortune, «as calças de ioga são a nova fragância». Mais próximas das massas estão as gamas de retalhistas de moda rápida como a H&M e, nas propostas do luxo, as linhas Fenty by Puma e Adidas by Stella McCartney surgem em destaque.

Como resultado desta saturação de mercado, alguns analistas previram que 2017 seria o derradeiro ano de teste à resistência da macrotendência. As principais marcas posicionadas no segmento, como a Nike e a Lululemon, assistiram a uma desaceleração do crescimento e algumas vozes adjetivaram o athleisure de “fora de moda”.

No entanto, de acordo com o relatório “Global market review of athleisurewear: a fad or here to stay?”, 2017 provou que todas as previsões sobre o fim do athleisure estavam erradas, com novas coleções apresentadas por marcas de renome, como a Tory Burch e a Moncler. Com orçamento disponível para desenvolver tecnologias mais sofisticadas e capazes de produzir em massa, estas marcas fizeram investigações e experiências que procuraram encontrar o equilíbrio perfeito entre conforto e performance. Além disso, ainda que o retalho generalista não esteja a atrair os clientes do segmento, que consideram a sua oferta banal, as lojas físicas especializadas estão a conquistar os consumidores com uma oferta de marcas desportivas a preço razoável. Por outro lado, os catálogos/websites, especializados ou não, estão a ganhar quota de mercado.

Já este ano, o desporto voltou a tomar de assalto as passerelles do luxo, renovando a força da tendência e prolongando-a, pelo menos, até ao próximo outono-inverno.

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