Blockchain está na moda

A tecnologia tem potencial para transformar o armazenamento e partilha de informação e transações entre empresas e ecossistemas – e, portanto, de aumentar radicalmente a transparência ao longo de toda a cadeia de aprovisionamento da moda. O que é a Blockchain?


Foi apresentada há mais de uma década, mas ganhou tração há um par de anos. A Blockchain tem potencialidade para revolucionar várias áreas, desde as transferências à cadeia de aprovisionamento.

É uma estrutura de dados que representa a entrada de contabilidade financeira ou o registo de uma transação. É uma base de dados pública, global e distribuída. Cada transação é digitalmente assinada com os objetivos de garantir a sua autenticidade e de evitar que alguém a adultere, para que o registo e as transações existentes dentro da Blockchain sejam considerados de elevada integridade. A integridade e, também, a ordem cronológica da Blockchain são altamente protegidas pela criptografia.

A prática

O Wal-Mart foi um dos primeiros retalhistas a planear a implementação internacional da Blockchain e empresas como a Eileen Fisher e a L’Oréal já adotaram a tecnologia internamente para monitorizar as próprias cadeias de aprovisionamento.

A primeira aplicação da tecnologia Blockchain na indústria da moda tem, por isso, a ver com a transparência da cadeia de aprovisionamento.

A Provenance e a SourceMap são duas empresas de software que estão a usar a Blockchain para levar a bom porto a primeira aplicação da tecnologia. As duas empresas antecipam um mundo no qual, através da Blockchain, todos os produtos de moda ou de cosmética têm origens rastreáveis e transparentes.

«As cadeias de aprovisionamento da moda são demasiado complicadas para serem rastreadas através da comunicação tradicional, de pessoa para pessoa», explica o fundador da SourceMap, Leonardo Bonanni, ao portal de moda Fashionista. «É necessária uma tecnologia realmente avançada para rastrear a indústria da moda, especialmente num mundo de moda rápida e marcas globais», acrescenta.

A SourceMap desenvolveu uma espécie de rede social que permite que todos, do agricultor até ao funcionário de fábrica, comuniquem diretamente com a marca e está a usar a tecnologia Blockchain da Provenance para verificar tais trocas de comunicações.

Os benefícios? As certificações não podem ser falsificadas; as marcas não podem negar ter trabalhado com fábricas alvo de acusações de exploração laboral (entre outras) e os auditores podem rastrear qualquer produto.

A segunda aplicação da tecnologia Blockchain no contexto da moda ética está relacionada com as criptomoedas.

As criptomoedas como a Bitcoin não são controladas por uma só entidade, mas por uma rede global de utilizadores que alimentam computadores que correm o software. Funcionam de forma descentralizada, não dependendo da economia interna de um país. As transações são enviadas com rapidez e segurança, anonimamente, pela tecnologia Blockchain e as mesmas são aprovadas por um processo chamado mineração – as transações são verificadas, validadas e adicionadas à Blockchain. As criptomoedas foram a primeira aplicação financeira desenvolvida em cima da tecnologia Blockchain.

«Acho que é possível antecipar que, já em 2019, vamos ter peças de vestuário produzidas em massa que podem ser totalmente rastreadas ao longo da cadeia de aprovisionamento. Isso só será possível através da Blockchain», afirma Leonardo Bonanni.

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