Citeve cria camuflado que torna militares invisíveis

O projeto de um camuflado militar que impede as câmaras térmicas de detetar o seu utilizador foi apresentado por Gilda Santos, investigadora do CITEVE, no Congresso Internacional de Fibras Não Naturais, que decorreu entre os dias 13 e 15 de Setembro, na Áustria.


Gilda Santos e Augusta Silva, também investigadora desta instituição sediada em Famalicão, levaram, aliás, ao 56th Dornbirn Man-Made Fibers Congress mais três outros estudos mostrando o conhecimento adquirido com o desenvolvimento de projetos de I&D nas áreas de Proteção, Defesa, Sustentabilidade e Multifuncionalidade, promovidos em parceria com empresas nacionais.

No caso deste camuflado que oculta a assinatura térmica dos militares (não, não é o da foto), o projeto do CITEVE ainda não está preparado para a industrialização, mas já está numa fase avançada de desenvolvimento.

Trata-se de um grande salto em frente no que diz respeito à proteção militar, uma vez que a maioria dos camuflados recorrem à componente visual, centrada no padrão dos tecidos, aquilo que comummente é designado como padrão floresta e padrão deserto, de forma a que os militares passem despercebidos no ambiente onde se encontram.

Ora, ao ocultar a chamada assinatura térmica, estes novos camuflados fazem com que o calor do corpo humano dos militares não seja sinalizado pelas câmaras térmicas que são utilizadas nos teatros de guerra, quer através de drones ou mesmo de binóculos nocturnos. É quase como nos filmes.

Além da área da proteção militar, as duas investigadoras apresentaram mais três projetos desenvolvidos pelo CITEVE, designadamente um na área da sustentabilidade sobre tingimento e acabamento ecológico de malhas que visa travar a poluição e diminuir os gastos energéticos.

Além do CITEVE, colaboram neste projeto o CeNTI e as empresas Fernando Valente, Lemar, Tinamar, Coltec, Scoop e FDG.

Augusta Silva apresentou um outro projeto, no qual cooperam também as mesmas empresas do anterior, e que visa obter três funcionalidades nas malhas que vestimos – repelência aos mosquitos, à água/sujidade, e protecção aos raios UV.

Gilda Santos apresentou ainda um outro sobre fios de proteção, no qual estão envolvidas as empresas Fernando Valente, Lemar, Coltec e FDG.

Neste caso,  o desenvolvimento prende-se com fios que possam ser utilizados no vestuário interior (camisolas, ceroulas e pólos) dos bombeiros. Ou seja, além dos fatos de proteção anti-fogo de que já dispõem, passariam a dispor também de uma primeira camada, esta de vestuário interior, com propriedades ignífugas.

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