Como se vai vestir o mundo em 2018?

Perspetivando o novo ano com base na análise dos últimos dados divulgados pela OMC, já é possível alinhar as próximas cinco principais tendências da indústria têxtil e vestuário – da renovada importância dos países asiáticos ao novo papel da China na cadeia de aprovisionamento global.


A atual dinâmica do comércio mundial de têxteis e vestuário está intimamente ligada à mudança nas estratégias de sourcing e na cadeia de aprovisionamento de marcas e retalhistas. Analisando os últimos relatórios da Organização Mundial do Comércio (OMC), eis os eixos de mudança para o próximo ano, num alinhamento efetuado pelo Just-style.

1 – Comércio mundial de têxteis e vestuário em queda

Depois de uma desaceleração sem precedentes em 2015, os números do comércio mundial de têxteis e vestuário continuaram a cair ao longo de 2016. Especificamente, o valor das exportações mundiais de têxteis totalizou 284,3 mil milhões de dólares (aproximadamente 240,7 mil milhões de euros), uma queda de 2,4% em relação a 2015; enquanto o valor das exportações mundiais de vestuário atingiu os 442 mil milhões de dólares, uma queda de 2,6%.

Embora a abordagem superficial possa sugerir que as oscilações cambiais e os preços da matéria-prima são as principais causas do declínio nos últimos anos, segundo os analistas, não se devem ignorar outros importantes fatores, como por exemplo o intensificar das medidas protecionistas em mercados como os EUA.

2 – Países asiáticos dominam as exportações de têxteis e vestuário

Em 2016, mais de metade (62%) das exportações mundiais de têxteis foi assegurada por países asiáticos, em comparação com os 48% de há uma década. De igual forma, em 2016, os países asiáticos representaram mais de 60% das exportações mundiais de vestuário, um aumento de 51% em relação aos valores de há uma década.

3 – Cadeias de aprovisionamento regionais continuam a prosperar

Globalmente, existem três cadeias de aprovisionamento de têxteis e vestuário.

Ásia: dentro desta cadeia de aprovisionamento regional, os países asiáticos economicamente melhor posicionados (como Japão, Coreia do Sul e China) fornecem matérias-primas aos países menos desenvolvidos (como Myanmar, Camboja e Vietname). Com salários relativamente mais baixos, os países mais desfavorecidos garantem geralmente os processos de produção de vestuário mais intensivos em mão-de-obra e, de seguida, exportam as peças acabadas para os principais mercados de consumo globais.

Europa: dentro desta cadeia de aprovisionamento regional, os países desenvolvidos, como Itália e Alemanha, são os principais fornecedores de têxteis. No que diz respeito à produção de vestuário na União Europeia (UE), os produtos do mercado de massas são tradicionalmente fabricados em países em países como a Polónia e a Roménia, enquanto os artigos de luxo são produzidos principalmente em países como Itália e França.

Hemisfério ocidental: Dentro desta cadeia de aprovisionamento regional, os EUA constituem o principal fornecedor de têxteis, enquanto os países em desenvolvimento da América do Norte, Central e do Sul (como a região do México e do Caribe) reúnem têxteis importados dos EUA ou de outros destinos para a produção de vestuário. A maioria parte do vestuário confecionado é, eventualmente, exportada para os EUA ou para o Canadá, para consumo.

4 – Novo papel da China na cadeia de aprovisionamento global

Ainda que a China continue a ser o maior exportador de vestuário do mundo, a sua quota de mercado medida por valor caiu de 38,6% em 2015 para 35,8% em 2016. A influência da China nos três principais mercados de importação de vestuário do mundo –  UE, EUA e Japão – também revela uma clara tendência de queda nos últimos cinco anos.

Os dados da OMC corroboram outros que têm vindo a notar que as marcas e retalhistas estão à procura de destinos de sourcing de vestuário alternativos à China. No entanto, também é importante referir que a China está a desempenhar um papel cada vez mais importante como fornecedora de têxteis dos países exportadores de vestuário na Ásia. Por exemplo, medido em valor, 47% das importações têxteis do Bangladesh vieram da China em 2015, face aos 39% de 2005.

5 – Exportações de têxteis e vestuário continuam críticas para o desenvolvimento económico dos países em desenvolvimento

Segundo o Banco Mundial, os têxteis e vestuário representaram, em média, 18% do total das exportações de mercadorias dos países em desenvolvimento em 2016, contra 14% em 2006.

Para países como o Bangladesh, Gâmbia, Paquistão, Madagáscar, Sri Lanka e Camboja, em 2016, os têxteis e vestuário responderam por aproximadamente 70% do total de exportações de mercadorias.

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