Duas listas disputam pela 1.ª vez liderança de associação do calçado

A Associação Portuguesa do Calçado vai sexta-feira a votos para eleger a nova direção, tendo pela primeira vez em 42 anos de história surgido duas listas concorrentes lideradas pelos empresários Luís Onofre e Sérgio Cunha, do grupo Pedreira.


Num setor conhecido por falar “a uma só voz” e cuja associação era presidida há 18 anos pelo líder do grupo Kyaia, Fortunato Frederico - que em fevereiro anunciou que não se recandidataria -, a existência de duas listas para o mandato 2017-2019 terá apanhado alguns de surpresa, até porque Luís Onofre foi convidado pela atual direção para formar uma lista “de consenso” – a lista A.

Contudo, em finais de março, no último dia do prazo para entrega de candidaturas, o até então presidente da mesa da assembleia geral da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), Sérgio Cunha, viria a apresentar-se como candidato concorrente na lista B, admitindo em declarações ao Jornal de Notícias/Dinheiro Vivo ter ficado desagrado com a indigitação de Onofre ainda antes da realização da assembleia-geral que daria início ao processo eleitoral.

Líder do grupo familiar Pedreiras, de Felgueiras, que emprega três centenas de trabalhadores em cinco empresas, Sérgio Cunha afirma na carta de rosto do seu programa eleitoral que a sua candidatura se propõe “renovar, honrando, o importante legado de Fortunato Frederico”, cuja saída considera impor “uma verdadeira renovação numa associação que representa um setor que se tem vindo destacar no universo das exportações e balança comercial portuguesas”.

Composta “fundamentalmente por empresários de 2.ª e 3.ª gerações, que desenvolveram processos maduros de sucessão empresarial, transportando a forte experiência industrial dos seus antecessores, mas garantindo o domínio de conceitos atuais determinantes, nomeadamente as relações comerciais externas e os seus novos canais, o valor acrescentado da Marca e a Indústria 4.0”, a lista B aponta estes conceitos como “cruciais para que o setor possa acompanhar o ritmo veloz que a globalização determina”.

Afirmando reunir na sua lista empresários dos concelhos de Felgueiras, Guimarães, Benedita, S. João da Madeira, Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e Ovar, Sérgio Cunha considera que o surgimento de duas listas concorrentes “em vastos anos de APICCAPS” é um “sinal de profundo respeito por uma indústria que merece e deseja ser auscultada, tendo voz ativa nas grandes decisões a tomar”.

A primeira das propostas avançadas pela lista B é, desde logo, a “democratização” da própria associação, com o estabelecimento de um limite máximo de três mandatos de três anos para o presidente da direção e a promoção da “transparência de informação para com os associados”, nomeadamente “no que toca a rubricas importantes da estrutura de custos da associação”.

Também defendida por Sérgio Cunha, de 59 anos, é a “proximidade aos associados”, com o estabelecimento de visitas mensais às empresas por representantes da associação, uma “redefinição do conselho consultivo” da APICCAPS, a promoção da cooperação entre empresas e a realização de mesas redondas nos vários concelhos de implantação do setor.

“Enaltecer o valor da marca como um dos principais ativos das empresas” de calçado e estabelecer um “foco claro” nos mercados dos EUA e Rússia, mas acompanhando “de perto o mercado chinês” são outras prioridades, a par da redefinição da marca “Portuguese Shoes”, da verticalização do ‘cluster’ e da aposta nas ligações intersetoriais, nomeadamente ao têxtil e vestuário, através de ações conjuntas.

Já Luís Onofre apresentou-se como candidato após um “convite inesperado” da atual direção da associação, assumindo desde logo a lista A como sendo de continuidade e reunindo “a equipa de empresários que ajudou a tornar a APICCAPS num exemplo do movimento associativo, em Portugal e no estrangeiro”.

Assumindo que “este não é um tempo de ruturas”, o empresário de 45 anos de Oliveira de Azeméis, cuja marca está presente nos cinco continentes, garante ter elaborado “uma lista de grande equilíbrio e consenso, constituída por empresários de todos os setores que a APICCAPS representa, de vários segmentos de produto e de todas as regiões”.

“Este é um novo momento. De renovarmos a associação, sem colocarmos em causa o seu passado. De tornarmos o calçado português na grande referência internacional que nos valoriza a todos”, sustenta no seu projeto eleitoral.

“Coesão indesmentível, ação eficaz e referência incontornável” são os desafios a que se propõe Onofre, que assume ainda como prioridades o rejuvenescimento da fileira e a atração para o setor de uma “nova geração de talentos”.

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