Em Cannes, Salma Hayek se emociona ao falar sobre sobre os atentados de Manchester

Salma Hayek esteve em Cannes para um bate-papo promovido durante o Festival de Cinema, o “Women in Motion”, que discute o papel das mulheres na indústria do cinema. Ao falar sobre os atentados terroristas ocorridos no dia 22 em Manchester, na Inglaterra, durante o show da cantora americana, Ariana Grande, e que provocou a morte de 22 pessoas e mais 59 feridos, a atriz mexicana ficou visivelmente emocionada. "Ela (Ariana Grande) é a cantora favorita de Valentina. Se o show fosse aqui na França minha filha teria ido com seus amigos e suas mães", comentou.


Salma Hayek em Cannes


“Este é um dos motivos pelos quais eu não dormi ontem. Se eu tenho uma opinião? Não, eu ainda não processei o ocorrido. Eu não vou inventar algo. Eu posso opinar quando sei do que estou falando, mas não sei ao certo o que houve em Manchester", disse Hayek durante o evento no Majestic Hotel.

No dia 23, o Festival de Cinema de Cannes realizou um minuto de silêncio em respeito às vítimas de Manchester. "Eu não sei ao certo o que sentir hoje, estou apavorada e não sei o que dizer à minha filha. Sinto que o Reino Unido foi um pouco invadido", comentou a atriz.

O bate-papo com Salma Hayek é parte do evento Women in Motion, patrocinado pelo grupo de luxo Kering, cujo CEO e proprietário é François Henri Pinault, marido de Salma e pai de sua filha, Valentina. A lista de convidados para a série de debates inclui as também atrizes Robin Wright, Isabelle Huppert e Diane Kruger.

A quantidade de mulheres no cinema infelizmente ainda é pequena, embora um pouco maior na França do que em outros países europeus. Um estudo do Women in Motion afirma que 22,3% dos filmes franceses produzidos nos primeiros cinco anos desta década foram dirigidos por mulheres. Na Grã-Bretanha e Itália, os números foram 11,5% e 10,2%, respectivamente.

O Festival de Cannes celebra seu 70º aniversário mas até hoje apenas uma cineasta, Jane Campion, venceu o prêmio principal do festival, a "Palme d’Or” (Palma de Ouro), em 1993 com "O Pianista".

"As mulheres têm as mesmas qualificações, mas ganhamos menos dinheiro. É muito importante, ao menos, falar sobre o assunto. Quando comecei a trabalhar, eu não sabia nada sobre os direitos das mulheres, mas, como uma mulher mexicana com descendência árabe, lembro que as pessoas riam de mim na escola de teatro, o que não ocorria com Benicio del Toro, que é de Porto Rico então, e de alguma forma, americano", disse Hayek, cuja família paterna imigrou do Líbano para o México.

"Todos os agentes viam o fato de eu ser mexicana e árabe como um conceito risível. Era muito machista, quase como se alguém dissesse que deveriam contratar um macaco, mas ao contrata-lo percebem que ele fala, e então dizem 'Oh meu Deus, é um macaco que fala e agora quer ser pago corretamente!'"

“O que é isso? Eu acho que é ignorância. Iniciei esta conversa há alguns anos, e em parte é simples que eles não tenham percebido o poder econômico feminino, mas agora as mulheres são independentes, ganhamos dinheiro e queremos sair e nos divertir. Nós somos os maiores consumidores de tudo", disse Hayek, falando aos diretores Kaouther Ben Hania e Costa Gravas, moderadores da conversa.

A Kering é um dos patrocinadores do Festival de Cinema de Cannes este ano, com um acordo de dois anos com a Unifrance, agência de apoio ao cinema francês em todo o mundo, e o grupo de luxo que detém Gucci, YSL, Stella McCartney e Alexander McQueen, entre outras grifes, tem sido muito ativo na luta contra a violência sexual.

"Eu estava trabalhando na América Latina e queríamos educar os homens para serem tolerantes. Bom, ninguém era mais bem sucedido no treinamento masculino que as prostitutas, e elas bem que conseguiram sucesso na educação, com exceção do policial que as estuprou", comentou.

Salma Hayek disse também que a Kering vem trabalhando internacionalmente para identificar a violência doméstica. "É muito mais comum do que se imagina. Aprendemos a identificar e discutir de forma confidencial, criando um sistema de apoio e também uma forma de sair dele. Encorajamos os nossos funcionários a fazer o mesmo", acrescentou.

Ela informou que a campanha de Stella McCartney, “white ribbon” (fita branca), que promove a conscientização do tema, já alcançou mais de um bilhão de pessoas no meio digital.

Cerca de 125.000 broches da campanha foram distribuídos em mais de 800 boutiques em 41 países, e foram entregues a clientes da Gucci, Alexander McQueen, Balenciaga, Brioni, Stella McCartney, Boucheron, Dodo, Pomellato e Queelin.

Mudando de assunto para cinema, e falando da controvérsia gerada pelo fato de dois filmes da Netflix estarem em competição no festival, apesar de não terem sido exibidos primeiro em salas de cinema, Salma respondeu: "Acho que o lançamento em cinemas ainda é muito importante. Parte da magia dos filmes é a conexão com o cinema, é mais respeitoso estar em um ambiente escuro onde tudo parece parar. Há algo romântico e bonito e um sentido de comunidade, isso é muito importante para a humanidade. Mas, você não pode ignorar a tecnologia e eu consigo entender esses dois lados, mas de certa forma temos de lutar para manter essa experiência", declarou.

Questionada pelo público presente no evento sobre o que a inspirou a se tornar atriz, Salma Hayek provocou risos respondendo: "Willy Wonka e a Fábrica de Chocolates! Há um monte de chocolates e ali tudo é possível. Eu pensei: como ter uma experiência como essa? Me tornando atriz, talvez?”.
 
 

Traduzido por Novello Dariella

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