Gucci abre a Semana da Moda de Milão

A Gucci abriu a Semana da Moda de Milão com uma coleção hiper-carregada, apresentada num espaço enorme, onde Velho Mundo e discoteca se misturaram.


Ver o desfile
Gucci - primavera-verão 2018 - Moda feminina - Milão - © PixelFormula

Embora todas estivessem vestidas para uma grande festa em Brooklyn, Berlim, Tóquio ou Xangai, as modelos desfilaram aos pés de uma série de estátuas gigantes: um buda sorridente, uma esfinge zangada, um Júlio César de expressão severa e um Perseu triunfante, segurando a cabeça sangrenta de Medusa. As roupas misturaram tudo isto e muito mais. Michele navegou entre séculos e culturas: de uma princesa da dinastia Ming a palhaços dignos de Picasso, passando por capas ao estilo de Drácula, polvilhadas com bugigangas brilhantes.

Beleza e inteligência combinavam como a sweater na qual estava escrita a famosa frase “Don’t Marry a Mitford” (Não case com uma Mitford), da camisola que o duque de Devonshire fez sobre Deborah Devonshire (uma das irmãs Miford) com quem foi casado. Assim como os diversos fatos masculinos clássicos bordados juntamente com calças de discoteca. Na finale, uma das modelos desfilou um vestido de chiffon plissado até os pés em rosa pastel degradê, os ombros cobertos de cristais e, no rosto, óculos perolados. No seu braço, uma piada interna de Michele, uma bolsa dourada e preta com o logotipo "Guccy" escrito propositalmente de forma errada.

"Eu tive que fazer uma imersão na antiguidade para criar coisas novas", sorriu Alessandro Michele nos bastidores, depois de ser recebido por membros da nobreza criativa: da grande produtora italiana vencedora de um Oscar, Marina Cicogna, ao fotógrafo Mick Rock, que fotografa muitas campanhas da Gucci.


Ver o desfile
Gucci - primavera-verão 2018 - Moda feminina - Milão - © PixelFormula
 
O seu programa foi mais intelectual. Intitulado “The Act of Creation as an Act of Resistance” (“A arte da criação como um ato de resistência”), Michele citou Albert Camus, reafirmando que "a rebelião desafia o que existe em nome do que falta, mas poderia existir".
 
A coleção foi um lembrete oportuno de que, embora trabalhe temas similares em muitos os desfiles, Michele está definitivamente a abrir novos caminhos, sobretudo com a sua visão de uma opulência moderna e exagerada.

Os resultados da Gucci não poderiam estar melhores. Basta olhar para o novo CEO Marco Bizzarri, que teve a perspicácia de contratar o desconhecido Michele, e hoje tem o maior sorriso da Europa.

"Registámos 2,9 bilhões de euros de receita no primeiro semestre do ano, o que significa que vamos terminar o ano como a segunda maior marca de luxo do mundo. Ainda atrás da Louis Vuitton, mas à frente da Chanel e da Hermès. O que é muito bom!”, disse Bizzari com um sorriso monumental.

Traduzido por Novello Dariella

Copyright © 2018 FashionNetwork.com. Todos os direitos reservados.

Moda - Pronto-a-vestirLuxo - DiversosDesfilesColeção