Guerra comercial entre União Europeia e Estados Unidos pode gerar realocações

Enquanto Washington introduz uma tributação sobre o alumínio e o aço canadiano, mexicano e europeu, a American Apparel Factory Association (AAFA) está preocupada com os danos que a retaliação europeia sobre os produtos têxteis pode causar ao Made in America e aos empregos na indústria.


Emmanuel Macron e Donald Trump - AFP

Diante das taxas americanas, a União Europeia pretende aplicar um imposto de 25% sobre alguns produtos americanos, incluindo jeans masculinos e femininos, t-shirts, calções e uma série de produtos sintéticos e técnicos para atividades esportivas. Além disso, os impostos estabelecidos por Washington afetarão diretamente os fabricantes norte-americanos de botões e fechos de correr, e a medida deve atingir especialmente as empresas da Califórnia, reduto da produção de denim.

A indústria norte-americana lembra que uma disputa comercial anterior com a Europa, há cinco anos, aumentou o imposto sobre o denim de 12% para 38%, custando 210 mil euros às fábricas de Los Angeles em seis meses. Isso levou True Religion, 7 for All Mankind, Hudson, e muitas outras empresas a realocar parte da produção para o México. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que, no ano passado, o país exportou 583 milhões de euros em vestuário para a União Europeia, abaixo dos 608 milhões de euros alcançados em 2014.

"Sejamos claros: a roupas e o calçado Made in America serão prejudicados com estas ações da administração Trump", disse Rick Helfenbein, diretor executivo da associação, que engloba grandes grupos como VF Corp, PVH, Lululemon e Tapestry. "A nossa capacidade de exportar produtos é essencial para a saúde da nossa indústria manufatureira. Isso será em detrimento das nossas empresas e trabalhadores americanos. É importante notar que os impostos (sobre o aço) são uma taxa oculta imposta aos consumidores americanos, que vai provocar uma inflação de preços e prejudicar a criação de empregos. Novas barreiras não vão criar novas oportunidades para os americanos."

A oposição da AAFA aos desejos protecionistas do presidente Trump não é nova e foi expressa durante a campanha presidencial, quando o candidato anunciou que queria acabar com o acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México.

No final de maio, a Associação publicou uma carta assinada por 60 marcas norte-americanas (incluindo Abercrombie, Kate Spade, Levi Strauss, Macy, Nike, Under Armour) contra o aumento da tributação das importações de têxteis/ vestuário da China. Uma resposta direta à Nacional Council of Textile Organization (NCTO), que pede para que os têxteis chineses sejam incluídos na lista de produtos que Washington está estudando inserir uma futura taxação de 25%, o que a AAFA considera uma taxa oculta imposta aos importadores americanos.
 

Traduzido por Novello Dariella

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