INE alerta Vestuário para possíveis efeitos do Brexit

O boletim do INE divulgado esta terça-feira sobre as exportações destaca o bom comportamento do setor do vestuário, mas faz um alerta sobre as possíveis consequências do Brexit para alguns setores, entre os quais o do Vestuário.


O Instituto Nacional de Estatística avisa que “um acesso diferenciado do Reino Unido ao Mercado Único Europeu, com o eventual estabelecimento de tarifas alfandegárias nas transações de bens entre o Reino Unido e a UE, a desvalorização da libra face ao euro, o clima de incerteza, assim como a possível contração da economia e do consumo britânico, poderão afetar as exportações portuguesas”.

Paulo Vaz, diretor-geral da ATP, considera que “as observações do INE têm a sua pertinência e razão de ser”. Entende assim que este alerta “faz sentido” e vai ao encontro daquilo que a própria ATP também vem dizendo.

Considera, no entanto, que questões, como a criação de “direitos aduaneiros”, não se irão concretizar com o Brexit.

O diretor-geral da ATP recorda que o Reino Unido foi um dos fundadores da EFTA que estabeleceu o acesso ao livre comércio. “O histórico do Reino Unido é o da defesa da liberdade de comércio e não o da criação de entraves. Tem uma matriz muito liberal que ultrapassa as intenções pontuais dos próprios governos. Sempre foram a favor da liberdade de circulação de bens e capitais”, sublinha.

“O que me parece estar em causa neste caso (Brexit) é a liberdade de circulação de pessoas por questões de segurança”, afirma. E recorda que independentemente da saída do Reino Unido da União Europeia, “os ingleses continuarão a partilhar com os restantes europeus e o mundo ocidental um conjunto de valores e estratégias comuns”.

O alerta do boletim do INE surge num contexto em que “elogiam” o desempenho do Vestuário nas exportações para o Reino Unido. “No 1.º trimestre de 2017, o mercado britânico registou um peso superior nas exportações de Vestuário (9,3%), quando comparado com o peso deste mercado nas exportações totais, tal como no 1º trimestre dos dois anos anteriores”.

Acrescenta que neste grupo de produtos o Reino Unido foi o 4.º principal destino, dado que Espanha, França e Alemanha detinham maior relevância (pesos de 41,5%, 13,3%, 9,5% respetivamente). “Em termos mais desagregados, no 1.º trimestre de 2017 o Reino Unido apresentava pesos mais elevados e com valores transacionados significativos nas exportações de meias-calças, meias acima do joelho, meias até ao joelho e artigos semelhantes, de malha (NC 6115), t-shirts, camisolas interiores e artigos semelhantes, de malha (NC 6109) e fatos de saia-casaco, conjuntos, casacos, vestidos, saias, saias-calças, calças…, de uso feminino (NC 6204)”, sublinham.

“Apenas a Alemanha, com um peso de 22,4%, detinha maior relevância que o mercado britânico nas exportações de meias-calças, meias acima do joelho, meias até ao joelho e artigos semelhantes, de malha. Nas exportações de t-shirts, camisolas interiores e artigos semelhantes, de malha o Reino Unido foi o 4.º maior destino (peso de 11,4%) e nas exportações de fatos de saia-casaco, conjuntos, casacos, vestidos, saias, saias-calças, calças…, de uso feminino o 3º maior (peso de 9,3%)”, afirmam.

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