ITV do Vietname na via verde

O quinto maior exportador têxtil e de vestuário do mundo, o Vietname, está a ganhar terreno na escala da sustentabilidade devido ao forte investimento estrangeiro, canalizado para a construção de fábricas com elevados padrões ambientais e com melhores práticas produtivas.


Nos últimos anos, o Vietname tornou-se num player importante no plano têxtil com uma força de trabalho que ultrapassa os 2 milhões de trabalhadores a operar no sector e com mais de 6 mil empresas de tecidos e confeção, segundo dados do ministério de trabalho e da administração de serviços internacionais.

A qualidade da mão-de-obra, os trabalhadores qualificados e os incentivos fiscais que o governo vietnamita concedeu para atrair investimentos externos foram os aspetos que mais contribuíram para o aumento da reputação do Vietname enquanto destino de sourcing na Ásia.

As previsões avançadas pela Associação Têxtil e do Vestuário do Vietname apontam para cerca de 25 mil milhões de euros em exportações no ano de 2017, representando um aumento de 10,23% a cada ano.

A par do crescimento exponencial do sector têxtil, surgem preocupações com os efeitos provocados por uma das indústrias mais poluidoras do mundo.

De forma a colmatar o agravamento do impacto ambiental no país, o governo vietnamita implementou leis de proteção ambiental mais rigorosas e aplicou multas até 73 mil euros para quem não cumprir os limites impostos.

«A indústria do vestuário é conhecida pelas fábricas com más condições de trabalho. O nosso objetivo é provar ao mundo que é possível produzir vestuário com as melhores condições», explicou Thomas Heberstreit, CEO of Royal Spirit Group que detém uma empresa de confeção no Vietname, a DBW.

A empresa que serve de exemplo para o futuro da indústria têxtil no país, foi inaugurada em novembro e está equipada com painéis solares que fornecem 20% da energia necessária para a realização das operações durante a época de seca. O edifício está certificado segundo os parâmetros de qualidade internacionais da LEED e Lotus.

A Maxport que inclui no portefólio clientes como a Patagonia, Nike, Arc’teryx e Lululemon, segue igualmente o trilho da eco sustentabilidade, tendo adotado na base práticas ambientais ecológicas.

«Desde o início do projeto até à infraestrutura do edifício foram inseridas configurações amigas do ambiente. Em alternativa aos sistemas de ar condicionado, plantara-se árvores à volta do edifício que, com o vento, fornecem um sistema natural de arrefecimento da fábrica», revela Vincent Cheng, diretor da JG Consulting, consultora especialista em soluções ambientais sustentáveis aplicadas na indústria têxtil.

Para os investidores recém-chegados ao Vietname, a adaptação das novas unidades de produção às medidas “eco-friendly” e a implementação de processos sustentáveis decorrem mais facilmente porque entram em cena sabendo já o que os clientes exigem.

No entanto, o diretor da JG Consulting adverte para o facto de ser necessário estabelecer um compromisso entre clientes e fornecedores. «Não basta dizer e eles fazem», é necessário estabelecer um acordo, conclui Vincent Cheng.

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