ITV portuguesa entra em campo

No Campeonato do Mundo de Futebol na Rússia não são apenas os 23 jogadores escolhidos por Fernando Santos que irão representar Portugal. Dos fatos às meias, passando pelas caneleiras e até pelos cachecóis dos adeptos, o talento português mostra-se dentro e fora das quatro linhas.

Foto: Divulgação

Cristiano Ronaldo e companhia estreiam-se na sexta-feira, 15 de junho, frente à Espanha, um dia depois do início oficial do Campeonato do Mundo, mas as empresas portuguesas da indústria têxtil e vestuário já entraram em campo há vários meses.

Depois da Dielmar, que equipou os campeões da Europa fora dos relvados, coube agora à Sacoor a responsabilidade de assinar o vestuário formal usado pelos jogadores da seleção nacional e restante comitiva, num acordo que se prolonga até 2020 e se estende a outras seleções nacionais.

«É uma honra e um privilégio para a Sacoor Brothers assinar esta parceria. Como marca portuguesa de excelência, espalhada por todo o mundo, queremos continuar a elevar o bom nome e a marca de Portugal dentro e fora de portas. É uma parceria com tudo para dar certo», afirma Moez Sacoor, administrador da Sacoor Borthers, que conta com 100 lojas, mais de 1.000 funcionários e a presença em 14 países, da Europa ao Médio Oriente, África e Ásia. «Vamos operar numa lógica de qualidade, serviço e experiência. Com humildade, também assumimos que somos uma grande marca de referência no mundo inteiro. A Seleção Nacional vai estar impecavelmente vestida em termos de design, qualidade e conforto. Utilizamos tecidos nobres, “made in” Portugal, e achamos que os nossos jogadores vão sobressair no Mundial», revela, em declarações publicadas no website da Federação Portuguesa de Futebol.

Produzido em Portugal, o fato de três peças foi feito à medida de cada jogador e pessoal técnico e contempla, como detalhes, o logótipo da Federação Portuguesa de Futebol no forro, um bordado debaixo da gola com a frase “Conquista o Sonho” e a presença das cores da bandeira nacional.

Dentro das quatro linhas

Já dentro de campo, o “made in Portugal” está presente nas meias de seleções como o Panamá e a Costa Rica. A “culpada” é a MFA – Manuel Fernando Azevedo, produtora de meias para marcas como a New Balance e Hummel. A empresa, que possui três unidades produtivas e cerca de 400 trabalhadores, fabrica aproximadamente 25 milhões de pares de meias por ano, 100% destinados à exportação, num percurso que deverá continuar a ser pautado pelo crescimento, como tem acontecido nos últimos anos.

E dentro das meias, vários jogadores internacionais poderão estar a usar as caneleiras desenvolvidas pela SAK Project. A startup portuguesa, presença habitual na feira Ispo Munich, enviou caneleiras para as estrelas das 32 seleções presentes na fase final na Rússia, incluindo Eden Hazard, Sergio Ramos, Neymar Jr, Lionel Messi, Vitor Lindelof, Andre Carrillo, Henry Kane e Nemanja Matic, de acordo com informação veiculada pelo Dinheiro Vivo.

Com várias camadas de materiais desenvolvidos para resistir e dissipar a energia do impacto e proteger as pernas dos jogadores, o processo de produção das caneleiras customizadas começa pelo scan 3D das pernas dos jogadores, que podem ainda escolher a imagem que querem no produto, como fotos da família. «A ideia de toda a nossa gama é usar materiais que têm propriedades únicas claramente distintas dos produtos comuns, que tornem as nossas caneleiras verdadeiramente eficazes», explicou, ao Portugal Têxtil, Filipe Simões, o CEO da SAK Project, já em 2015.

As caneleiras da SAK – um acrónimo que significa Safety Againts Kicking – são já usadas por vários profissionais, nomeadamente por jogadores do Futebol Clube do Porto, mas também podem ser usadas por amadores, já que estão à venda ao público (no site próprio e em lojas de desporto, como a Sport Zone), incluindo uma edição limitada que celebra o Campeonato do Mundo de Futebol e pode ser personalizada com a bandeira, nome e número preferido.

A SAK tem ainda calf sleeves, um produto de compressão que ajuda a manter a caneleira no sítio, para além de benefícios musculares. «Temos igualmente uma cinta, para os jogadores que preferem uma fita em vez das calf sleeves, com a adição de silicone, que é um produto que estamos a patentear», indicou o CEO ao Portugal Têxtil.

Para o décimo segundo jogador

Já fora das quatro linhas, o merchandising tem também o cunho do saber-fazer da indústria portuguesa, uma vez que a 4Teams, já conhecida por “o Cristiano Ronaldo dos cachecóis”, é a responsável pela produção dos cachecóis oficiais para o Campeonato do Mundo de Futebol.

«A 4Teams faz geralmente todos os campeonatos da Europa e todos os campeonatos do mundo. Temos uma empresa inglesa que é nossa cliente que compra as licenças do merchandising oficial dos campeonatos do mundo e dos campeonatos da Europa e confia-nos as produções cá», afirma Pedro Santos, administrador da empresa, que emprega 89 pessoas e, em 2017, registou um volume de negócios de 4 milhões de euros.

A empresa de Vizela distingue-se pelas suas valências positivas. «Dentro dos cachecóis desportivos, há sete tipos diferentes e, neste momento, somos a única empresa europeia que produz os sete tipos de cachecóis diferentes», assegura Pedro Santos.

Para o Campeonato do Mundo da Rússia, a 4Teams, que também é responsável pelos cachecóis para os jogos da Liga dos Campeões e da Liga Europa e trabalha com as seleções nacionais de vários países, incluindo Portugal, produziu mais de meio milhão de cachecóis.

Ainda no âmbito do Campeonato do Mundo, mas já com um cunho mais moda, a Lion of Porches está a lançar uma linha de polos para homem, senhora e criança, com pormenores que foram beber inspiração às cores da bandeira nacional.

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