Inovafil manda têxtil às urtigas

É um fio de urtigas e fornece à ITV uma alternativa sustentável aos fios tradicionais. A novidade é produzida pela Inovafil e foi desenvolvida internamente pelo seu núcleo de I&D, em parceria com a Universidade do Minho. É de urtigas, ecológico e sustentável. E não pica, garante o Rui Martins, administrador da empresa.


“Mas não pica?” Esta é a pergunta que todos fazem perante o novo fio produzido pela Inovafil a partir de urtigas. Rui Martins, administrador da empresa, garante que não pica, nem arde ou irrita a pele. Pelo contrário, o fio, para além de ecológico, é respirável e tem propriedades antibacterianas, antiestáticas e termorreguladoras.

A ideia não é propriamente nova, mas pode vir a tornar-se revolucionária na indústria, num momento em que a economia circular e as preocupações sustentáveis começam cada vez mais a ditar as tendências de mercado. A urtiga, conhecida pela facilidade com que as suas folhas irritam a pele, foi utilizada na produção de vestuário na Alemanhã nazi, durante a 2.ª guerra mundial. Confrontados com o bloqueio comercial internacional e com a escassez de algodão, os alemães encontraram a alternativa nesta planta selvagem e utilizaram-na para produzir novas fardas.

Agora, em tempos de paz, é a Inovafil que procura ganhar a corrida pela sustentabilidade através da utilização de fibras naturais. A empresa, sediada em Guimarães, celebrou uma parceria de exclusividade com um produtor alemão de urtigas, que cultiva e processa a planta, tornando viável a sua incorporação na fiação. A grande mais-valia do projeto é o seu elevado grau de sustentabilidade, em comparação com as soluções mais tradicionais do sector. “A urtiga é uma planta silvestre, surge de forma espontânea e quase não necessita de água, o que torna a produção muito fácil e também muito ecológica” explica Rui Martins.

A sustentabilidade tem estado na base de vários projetos do NIDYARN, o núcleo de investigação e desenvolvimento da Inovafil. Para além das urtigas, a empresa desenvolveu também fios ecológicos a partir de algodão orgânico e de cânhamo. No entanto, “a urtiga é sempre uma das cabeças de cartaz em qualquer apresentação” confessa o administrador da Inovafil, que tem apresentado este projeto em visitas de clientes e feiras internacionais. “As reações são muito boas, por ser algo inovador cria muito interesse e curiosidade e tem suscitado várias solicitações”.

Com menos de um ano de desenvolvimento, o fio já se encontra em produção industrial e em condições de ser integrado no mercado. As primeiras reações têm surgido do sector do vestuário, apesar da Inovafil acreditar que o produto terá potencialidades para qualquer ramo da indústria têxtil. “Num primeiro momento, o sector da moda é muito mais recetivo a novas experiências, mas acreditamos que este produto terá características que se adequam a qualquer área. Como é produzido a partir do caule da urtiga, torna-se semelhante ao linho e poderá ser utilizado em qualquer produção têxtil” afirma Rui Martins.

Para além de ter suscitado a curiosidade do sector, o espírito inovador do fio de urtiga valeu à Inovafil o iTechStyle award, atribuído pelo CITEVE. A nível internacional, uma malha confecionada pela Vilartex com este novo fio conquistou o 3.º lugar no Hightex Award, entregue na Munich Fabric Start.

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