LVMH e Kering banem modelos excessivamente magras e jovens

Os gigantes de luxo Kering e LVMH, que representam marcas como Gucci, Saint Laurent, Louis Vuitton e Dior, proibiram a contratação de modelos magras demais e com idade inferior a 16 anos.


Os gigantes do luxo proibiram a contratação de modelos excessivamente magras e jovens - AFP- François Guillot

Divulgado na quarta-feira (6), às vésperas do início da Semana de Moda de Nova Iorque, um novo código de ética que abrange as relações de trabalho e o bem-estar das modelos proíbe a contratação de modelos que vistam tamanho 32, bem como jovens com menos de 16 de participar em desfiles ou sessões de fotos que representem adultos.

Essas medidas foram tomadas após as polémicas que marcaram a Semana da Moda de Paris em fevereiro, em torno das condições de trabalho das modelos. Em França, os textos de implementação do Health Act de 2016 foram publicados na primavera passada e exigem que as modelos passem por avaliação médica.

Compromisso

O código prevê uma série de compromissos que devem ser adotados imediatamente no mundo, durante as sessões de fotos para campanhas publicitárias e nos desfiles de moda das marcas pertencentes aos dois gigantes grupos franceses (Gucci, Bottega Veneta, Saint Laurent, Balenciaga Alexander McQueen, Christopher Kane, Stella McCartney, para a Kering, e Dior, Vuitton, Givenchy, Celine, Kenzo, Fendi, Loewe, Berluti, Pucci, Marc Jacobs e Loro Piana, para a LVMH).

"Queríamos agilizar e ter firmeza para fazer as coisas realmente acontecerem, e tentar fazer com que os outros players do setor nos seguissem", disse o CEO da Kering, François-Henri Pinault, à AFP. Antoine Arnault, membro do conselho da LVMH e filho do CEO Bernard Arnault, disse que o código mudará o cenário atual da moda.

Estes compromissos vão além dos acordados em França em maio. O código exige a apresentação de um atestado médico com data inferior a seis meses, enquanto a lei prevê que este certificado leve em consideração o índice de massa corporal (IMC) da modelo, que deve ser datado de dois anos.

Embora a magreza seja algo controverso, as marcas estão empenhadas em banir modelos magros demais, que vistam tamanho inferior a 34 (tamanho francês), no caso das mulheres, e 44, no caso dos homens.

“O tamanho da roupa, juntamente com o atestado médico de menos de seis meses, são medidas muito importantes que nos permitirão avançar", declarou François-Henri Pinault.

"Muitas pessoas nem sabem da existência do tamanho 32", disse Antoine Arnault. "Mas, uma série de estilistas estavam a fazer as suas peças-piloto no tamanho 32. Agora isso terminou, os tamanhos serão a partir do 34, que já é bem pequeno", disse ele à AFP.

Abusos

As marcas também estão proibidas de contratar modelos com menos de 16 anos para roupas destinadas a adultos.

"Houve abusos", disse Antoine Arnault. "Uma meninas de 15 anos não tem a bagagem necessária para enfrentar o mundo difícil da moda e da modelagem", disse o diretor, que é casado com a modelo Natalia Vodianova.

A idade das modelos é muitas vezes criticada: adolescentes de 14 e 15 anos desfilaram nas passarelas de marcas de prestígio no passado.

O código regulamenta as condições de trabalho das modelos, especialmente das mais jovens (16 a 18 anos) e as "situações de nudez ou semi-nudez". Também prevê "acesso a alimentos e bebidas adaptados à sua necessidade alimentar".

A Semana da Moda de Paris de fevereiro foi marcada por uma polémica desencadeada pelo diretor de casting americano, James Scully. Na altura, este questionou as condições de um cast feito para a Balenciaga por dois dos seus concorrentes, e acusou-os de tratamento "sádico e cruel" contra as raparigas, forçando-as a esperar em pé durante horas numa escada.

A implementação destas regras será supervisionada por um comité de monitorização criado pelos dois grupos.

"Os CEOs das marcas do meu grupo garantirão que as medidas sejam aplicadas em todos os lugares. Uma marca que não cumprir com o código deverá justificar-se a mim", advertiu François-Henri Pinault, que também quer "avançar rapidamente sobre a questão da diversidade na moda".

Traduzido por Novello Dariella

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