Lanvin vive situação financeira crítica

Segundo duas fontes próximas ao assunto, a marca francesa de luxo Lanvin estaria vivendo uma situação financeira crítica que teria levado a auditoria a alertar o tribunal comercial de Paris.


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Lanvin - primavera-verão 2018 - Paris - © PixelFormula

Em situação instável desde que seu diretor artístico Alber Elbaz deixou a empresa em outubro de 2015, a marca mais antiga da alta-costura francesa ainda segue em atividade apesar de continuar com queda nas vendas.

Após uma diminuição de 23% em 2016, as perdas podem atingir 30% em 2017, de acordo com as fontes. Uma evolução que contrasta com o crescimento registrado no último ano por algumas marcas de luxo como Louis Vuitton (LVMH) ou Gucci (Kering), que se beneficiam das grandes vendas para os clientes chineses.

A Reuters informou em junho que os resultados da Lanvin enfrentam queda livre há um ano. "A auditoria já alertou o tribunal comercial de Paris sobre a situação extremamente preocupante da empresa", disse uma das fontes. A empresa prometeu realizar em setembro uma capitalização que não aconteceu. Nessa situação, a empresa corre o risco de não conseguir arcar com os salários de janeiro de 2018, apontou outra fonte.

"A recapitalização pode ocorrer antes do final do ano. De qualquer forma, isso não será suficiente para solucionar os desafios que a Lanvin está enfrentando", confirmou a fonte. Os pedidos dos showrooms que aconteceram após o primeiro desfile de Olivier Lapidus no mês de setembro em Paris caíram 50% em relação ao mesmo período de 2016, confirmou uma terceira fonte.

“Os pedidos foram catastróficos. Os compradores estão desapontados com o exagero de logotipo nas roupas", disse a fonte. A nomeação de Olivier Lapidus, conhecido por projetar móveis para a Gifi e vestidos de noiva para a marca Pronuptia, foi recebida como uma "bomba" pela empresa e o mundo da moda. Essa escolha provoca um temor de que seja uma estratégia que vise multiplicar as licenças, uma orientação julgada como suicida por muitos observadores, por se tratar de uma grande marca francesa de luxo, que pode ter sua imagem arruinado se houver o uso de seu nome em qualquer tipo de objeto.


Olivier Lapidus, o novo diretor artístico da Lanvin

O empresário suíço Ralph Bartel, que detém 25% da capital da Lanvin, em desacordo com a estratégia dos acionistas majoritários e com a eleição de um designer sem ter sido consultado, renunciou ao conselho de administração no mês de julho. "Ele queria capitalizar a empresa com a condição de ser acionista maioritário. Esta indicação sem a sua consulta o fez perder as rédeas", apontaram as fontes. O banqueiro Pierre Mallevays também deixou o conselho.

Proprietário da Lanvin com 75% do capital, o bilionário chinês Shaw-Lan-Wang mudou a direção sem mostrar suas intenções. Nicolas Druz, uma pessoa próxima a ele, voltou para a Lanvin e acaba de ser nomeado CEO. Michèle Huiban, que dirige a empresa desde 2013, deixou o conselho e atualmente é responsável pelas finanças como vice-diretora geral. Outros dois vice-diretores gerais foram nomeados: Simone Mantura, responsável por produtos e licenças, e Ursula Gandhi, responsável por vendas e marketing.

Nem a Lanvin ou seus acionistas e auditores quiseram falar com a Reuters sobre essa informação. A empresa deixará sua sede histórica na rue Faubourg Saint-Honoré após o edifício ter sido vendido ao grupo Richemont (proprietário da Cartier, Van Cleef & Arpels, entre outras) pelos herdeiros de Jeanne Lanvin, fundadora da marca. 

Neste contexto, as perdas de 2017 podem ultrapassar os 27 milhões de euros que eram esperados no início do ano, após uma perda líquida de 18,3 milhões em 2016. Essa crise é acompanhada por uma demissão em massa de funcionários. Cerca de um terço teriam deixado a empresa desde o início de 2017, a maioria não sendo substituídos, com exceção da equipe de vendas, informou uma das fontes.

Traduzido por Novello Dariella

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