Louis Vuitton: a super estreia de Abloh com roupa de trabalho de luxo

Foi praticamente um pandemónio entrar no Palais Royal na tarde de quinta-feira, devido às centenas de fãs que lutavam por um vislumbre das caras conhecidas que se deslocaram a Paris para assistir à estreia de Virgil Abloh na moda masculina da Louis Vuitton.


Louis Vuitton primavera-verão 19 - Photo: Pixelformula

E não foram embora desapontados, já que estiveram presentes celebridades como Kanye West, Kim Kardashian, Rihanna, ASAP Rocky, Rita Ora, Naomi Campbell, Takashi Murakami, Natalia Vodianova, Doutzen Kroes e uma enxurrada de executivos da LVMH, que se sentaram na primeira fila de uma longa passarela, que se estendia por 250 metros, decorados com as cores do arco íris.
 
Houve um tempo em que se prendiam revolucionários e colocavam os aristocratas numa guilhotina no Palais Royal; e muitas vezes ao longo dos anos os críticos de moda parisienses decapitaram designers nas suas estreias. Mas, neste caso, Abloh conquistou uma merecida ovação por uma coleção de roupa desportiva hiper-luxuosa, que tinha a quantidade certa de atitude artística e um toque levemente feminino.

A coleção estava bastante no espírito da marca própria de Abloh, a Off / White, mas o criador foi suficientemente perspicaz para elevar tudo a um outro nível, injetando opulência, materiais exóticos e um sentido de grandeza na maioria dos looks.

Havia um sentimento palpável de se estar a fazer história, uma vez que o desfile assinalou a primeira vez que um designer negro assume as rédeas de uma das mais importantes marcas de luxo europeias. Os seus primeiros 17 looks apareceram em branco total, enfatizando a confeção de casacos de mohair de dupla abotoadura e frente plana, calças extra largas, um fato marcante em algodão técnico com o famoso monograma e algumas parkas militares em organza transparentes, também com o monograma da marca.
 
De origem ganesa, Abloh cresceu em Rockford, Illinois, nos Estados Unidos, e formou-se em engenharia e arquitetura. Mais tarde, trabalhou como diretor criativo de Kanye West. A sua marca própria, a Off / White, lançada em 2013, tem sido um sucesso desde o seu primeiro desfile. No programa da Louis Vuitton, numa página sob o título “O vocabulário segundo Virgil Abloh”, o designer fez referência à sua cidade natal como um lugar “onde o pragmatismo e a roupa utilitária de trabalho definiram o senso comum de moda, criando assim, sem intenção, uma anti moda”. O criador descreveu a Louis Vuitton como um “fornecedor parisiense de artigos de couro fundado em 1854. Definida pelo seu monograma, a casa inventou a logomania. O seu valor de marca ocupa uma posição inigualável em todas as culturas e classes sociais.”


Louis Vuitton primavera-verão 19 - Photo: Pixelformula

A essência deste desfile esteve a meio caminho entre estas duas definições. Por exemplo, um casaco de trabalhador levemente volumoso, de bolsos arredondados, não em denim branco, mas em pele de vison; e a mochila que o acompanhava foi feita em couro Taurillon branco, gravado, claro, com o monograma LV. E no mesmo material, Abloh criou malas enormes, que lembram o trabalho de Claes Oldenberg.

O designer rematou metade dos seus looks com bolsas e sacos dignos de um trabalhador da construção civil ocupado ou de um caçador de veados, mas, uma vez mais, em materiais nobres. E apresentou algumas excelentes camisolas de ciclismo acolchoadas e coletes de esgrima. A passarela esteve a abarrotar de ideias de sportswear super luxuosa. No entanto, Abloh conseguiu manter a sua estética suficientemente longe da moda demasiado desportiva e das peças high-tech, fazendo de repente parecerem desatualizadas as propostas apresentadas no fim de semana passado em Milão.

Nem tudo funcionou, como as blusas em tie-dye com tachas, que dececionaram. Mas, no geral, este desfile foi um sucesso gigantesco. O ponto alto foi, como a FashionNetwork.com já havia antecipado, o finale com um Feiticeiro de Oz e uma Dorothy a sorrir em parkas de organza com papoilas.


Louis Vuitton primavera-verão 19 - Photo: Pixelformula

No final, Abloh subiu à passarela para saudar o público, mal contendo as lágrimas enquanto todos aplaudiam.

"Fantastique!", disse entusiasmado o rei do luxo, o presidente da LVMH e chefe de Abloh, Bernard Arnault, enquanto prestava homenagem, juntamente com os seus três filhos, ao designer.

De certa forma, este projeto começou há uma dúzia de anos, quando Michael Burke, CEO da Vuitton, conheceu Abloh no Japão. Por altura de um evento da Fendi em Tóquio, em 2006, Kanye West, que fez uma aparição, apresentou Burke a Abloh, que fazia então parte da sua equipa de design.

“Assim que conheci Virgil soube que faria algo com ele. Ele tinha aquela magia que se consegue reconhecer nas pessoas realmente criativas. Devo o dia de hoje a Kanye, e agradeço-lhe por isso”, concluiu Michael Burke, CEO da Vuitton, em frente ao local onde o maior revolucionário de todos, Georges Danton, foi preso pela primeira vez.

Traduzido por Estela Ataíde

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