Maria Gambina está de volta com Tintex, Lemar e Valérius

Após uma pausa de cinco anos, nos quais se dedicou ao ensino, a estilista Maria Gambina está de regresso e prepara-se para apresentar uma nova coleção, que de momento já se encontra em fase de execução e que está a ser elaborada em parceria com a Tintex, a Lemar e a Valérius, com recurso a materiais nacionais. A apresentação das novas peças será feita no Portugal Fashion. 


A nova coleção, para a primavera/verão 2019, irá ser mais prática, comercial e criativa nos detalhes e acabamentos, e será executada recorrendo a materiais inovadores e sustentáveis. “A SS19 vai ser muito Maria Gambina, com uma vontade enorme de crescer e se abrir para o mundo”, revela a estilista em declarações ao T.

A pausa na carreira, que decorria desde 2013, foi motivada pela falta de sentido que a designer via na marca, em grande parte provocada pelo cansaço de realizar de forma independente e sem parceiros, todas as fases da produção das peças.

“Senti que tinha que parar, que a forma como estava a levar a marca Maria Gambina não fazia sentido. Vivia de duas apresentações por ano e de vendas em loja própria. Era tudo produzido no meu atelier e quase tudo eram as peças únicas”, revela ao T.

“Optei por me dedicar em exclusivo ao ensino. Estes cinco anos tiveram várias fases. Nos primeiros anos nem conseguia entrar na minha loja, e desenhar só mesmo as orientações que desenvolvia com os alunos em sala de aula. Aos poucos a marca Maria Gambina começou a ficar longínqua”, completa.

No entanto, algo começou a mudar há cerca de dois anos, quando decidiu fazer uma arrumação no atelier e doar a museus as peças que restavam, que estavam paradas e a deteriorarem-se e que, segundo Gambina “em termos criativos, de materiais, e de construção, fazia sentido serem mostradas às novas gerações de Designers”. Ao ver as suas antigas criações, algo voltou a despertar dentro da criadora.

“Nesse processo voltei a olhar para a marca. Vi peças que fiz no século passado que hoje vejo em coleções internacionais, vi ideias que hoje os meus alunos me apresentam, vi peças super pesadas, vi peças super complicadas, vi peças que nem sei porque as fiz e vi muitas peças que fiquei com pena de não me servirem hoje porque usá-las-ia. Paralelamente (e parece que foi de propósito) muitas pessoas me pediam para voltar e que a minha marca fazia falta. Penso que foi tudo isso que me deu o clique: perceber que tinha uma Marca, Identidade e, ainda, público”, revela.

Quando deu por ela, estava a desenhar compulsivamente e a preparar o seu regresso, e agora deseja que esta seja a primeira de muitas coleções regulares. Quanto ao percurso na ESAD, a estilista vai continuar a coordenar todo o processo criativo e de produção dos concursos dirigidos aos alunos de Design de Moda da ESAD.

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