Messenger do Facebook vai usar realidade aumentada para facilitar compras

A aplicação Messenger do Facebook lançou, na terça-feira (1), um recurso de realidade aumentada para permitir que as pessoas vejam os produtos que estão a comprar. A novidade promete atrair potenciais anunciantes.


REUTERS/Joshua Roberts

Embora as aplicações de mensagens dos smartphones não exibam anúncios, o Facebook afirmou que publicar anúncios às pessoas (1,3 mil milhões) que usam o Messenger será uma parte importante do crescimento da receita da empresa a longo prazo.

As empresas de tecnologia de Silicon Valley estão a investir cada vez mais em realidade aumentada, uma mistura dos mundos real e digital, como no jogo Pokemon Go. O Facebook vai lançar, numa conferência de tecnologia que começa na terça-feira, um novo kit de ferramentas para desenvolvedores de software para criar recursos de realidade aumentada.

David Marcus, diretor da aplicação Messenger do Facebook, disse numa entrevista que os compradores poderão visualizar e potencialmente testar produtos que os anunciantes disponibilizarem. A Sephora é uma das primeiras empresas que usarão o recurso, e permitirá que as pessoas experimentem os cosméticos virtualmente.

Recursos semelhantes de realidade aumentada proliferaram nas aplicações de retalhistas como Amazon.com e Ikea, possibilitando às pessoas visualizarem como uma torradeira ou um sofá ficariam num determinado ambiente.

O Facebook, a maior rede social do mundo, incentiva as empresas a usarem o Messenger para conversar com os consumidores, às vezes para o atendimento ao cliente. Ter empresas a usarem o Messenger ajuda a publicidade do Facebook, segundo Marcus.

Os profissionais de marketing podem inserir anúncios diretamente no serviço, e o Facebook vende anúncios no Feed de notícias que é conectado ao Messenger. O Messenger e o Feed de Notícias criam um ciclo de feedback "volante" para a vendas de anúncios, segundo Marcus.

Quatro empresas participam no lançamento: a empresa de eletrónicos Asustek Computer Inc, a fabricante de automóveis Kia Motors Corp, a empresa de roupa Nike Inc, e a Sephora, unidade da LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton SE.

O WhatsApp, outro serviço de mensagens do Facebook, com mais de mil milhões de utilizadores descartou as publicidades. O cofundador do WhatsApp, Jan Koum, disse na segunda-feira que está de saída da empresa. Segundo o Washington Post, Koum estaria de saída em parte devido a conflitos em relação à publicidade, a que se opõe.

Marcus disse não estar preocupado que os anúncios afastem os utilizadores do Messenger. Segundo o mesmo, as pessoas devem poder optar por conversar com uma empresa no serviço. "As pessoas acham útil", diz ele.

O Messenger está a tentar atrair empresas de outras maneiras, como "bots" automáticos de chat que respondem às consultas dos clientes. Existem 300 mil bots no Messenger, três vezes mais do que há um ano, diz Marcus.

Traduzido por Novello Dariella

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