Moda em mudanças

A migração das compras para o canal online não para e, por consequência, as marcas têm procurado dar guarida aos seus clientes no ciberespaço. Agora mais do que nunca, a indústria da moda precisa de identificar quais as estratégias digitais capazes de garantir vantagens competitivas.


Recentemente, a Association of Suppliers to the British Clothing Industry (ASBCI) reuniu empresas de vestuário de todo o mundo na conferência “Digital Revolution”, na qual especialistas e executivos partilharam as suas perspetivas sobre como marcas e retalhistas podem navegar com sucesso as marés digitais e chegar a bom porto.

O portal de tendências WGSN selecionou, dentro das várias intervenções da “Digital Revolution”, as três vias de mudança para a indústria da moda – abertas pela força disruptiva do digital.

Gratificação instantânea

Considerando o boom das redes sociais e respetivos influenciadores, o impacto das transmissões de desfiles em direto online e a força do modelo de negócio ver agora/comprar agora, os consumidores mostram-se sedentos por novos produtos e gratificação instantânea. Este imediatismo está a transformar o horizonte do retalho e já levou o Instagram a oferecer o “botão de compra” aos utilizadores. Há, também, websites onde se podem consultar e saber onde comprar os looks da série de televisão favorita. Do lado das marcas e retalhistas tem despontado uma nova estratégia de gestão de stocks.

Mais do que qualquer outra coisa, os consumidores conectados exigem conveniência e, por isso, a novidade frequente deve ser aliada a uma resposta rápida por parte de retalhistas e marcas. Neste âmbito, as compras via smartphones tendem a crescer 91,3% até 2023, como antecipou o WGSN no relatório Future Consumer 2020.

Vontade do freguês

Entrega em 24 horas, comprar online e recolher em loja, encomendar online e recolher num ponto de recolha, comprar em loja e receber em casa, ver na loja e comprar online e ver online e comprar em loja – estas são apenas algumas das possibilidades ominicanal que muitos retalhistas oferecem aos seus clientes.

As entregas com drones também estão a ser estudadas por atores como a Amazon. A Zara, para resolver o tempo perdido nas filas de pagamento das lojas, tem vindo a apostar numa frota de robots. Os robots já estão a auxiliar a retalhista espanhola a recolher os itens no armazém para acelerar o processo de recolha em loja. Os clientes que fazem encomendas online podem assim passar ou introduzir um código num leitor disponível nos pontos de recolha das lojas Zara. Depois, os robots procuram a encomenda correspondente e levam-na para um depósito onde o cliente poderá levantá-la.

Uma nova psicologia

Em vez de um monólogo, graças às redes sociais, a comunicação das marcas hoje desdobra-se em tempo real através de uma rede de plataformas de tecnologia onde os consumidores são participantes voluntários e ativos, o que significa que as marcas já não podem monopolizar a conversa, devendo antes estabelecer relações simbióticas com os clientes.

A ascensão do digital contribuiu também para um aumento no número de pontos de contacto entre consumidores e marcas, que agora entram em contacto através de uma gama muito maior de plataformas, do Instagram a websites de comércio eletrónico, resultando em percursos de compra mais complexos e não lineares.

Na sua intervenção na “Digital Revolution”, Andrew Nicholson, fundador e presidente da GukU, enfatizou a importância do Valor Percebido Pelo Cliente e como isso afeta a longevidade do relacionamento entre marcas e clientes. Nicholson sugeriu que uma via de trabalhar isso é alavancar o poder da partilha – incluem-se aqui, por exemplo, as cada vez mais populares recomendações.

Um relatório conduzido pela GukU mostrou que solicitar que os clientes escrevessem uma recomendação nas suas redes sociais levou a um aumento de 37% no índice de Valor Percebido Pelo Cliente.

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