Mudanças na Colette e 10 Corso Como fazem a moda questionar sua distribuição

Enquanto a Colette anuncia o seu encerramento para dia 20 de dezembro deste ano, a italiana 10 Corso Como também está prestes a viver grandes mudanças. A famosa concept store, fundada em 1990 por Carla Sozzani em Milão, passou por dificuldades nos últimos anos, beirando a falência em 2015 e, recentemente, enfrentou riscos de despejo. Mas o templo da moda italiana acaba de encontrar uma salvação.


10 Corso Como - DR

Os salvadores são os fundadores da marca Twin-Set, o empresário Tiziano Sgarbi e a estilista Simona Barbieri, que, depois de vender sua marca para o fundo Carlyle, embarcam em uma nova aventura. Conforme anunciado esta semana pelo site do jornal de Milão, Corriere.it, o casal assumiu o controle da concept store 10 Corso Como por pouco menos de 30 milhões de euros, da empresa imobiliária que detém o espaço de 3.000 m².

"Nós não temos nenhuma intenção de alterar a fórmula. Nós queremos modernizá-la, por enquanto. Quanto à galeria exposições fotográficas, a loja de acessórios e de roupas cult, gostaríamos de formar uma parceria com Carla Sozzani", disse Tiziano Sgarbi ao corriere.it.

"No entanto, os espaços ocupados pelo restaurante, bar, biblioteca e hotel vão mudar completamente de gestão", diz o empresário, que dirige a empresa têxtil Abraham Industries (ex-Liviana Conti), que lidera as marcas Erika Cavallini, Circus Hotel, SemiCouture e Liviana Conti.

A fórmula dessas grandes concept stores da moda, tais como foram concebidas há vinte anos, agora parece questionável. O comércio online veio derrubar o modelo com o surgimento, em especial, de lojas multimarcas de luxo online. Estas, como Net-A-Porter e Matchesfashion, estão se tornando cada vez mais populares devido à sua presença instantânea e global que as torna muito mais atraente para as marcas que as tradicionais multimarcas.

Todas as grifes têm agora seu próprio e-commerce e rede de varejo, que multiplicaram as "colaborações exclusivas" com estas lojas virtuais, oferecendo-lhes uma visibilidade global. A mesma lógica funciona para os jovens designers. Eles se apoiavam nas vitrines da Colette ou em outras lojas selecionadas para serem conhecidos, mas agora, fazem colaborações pontuais com sites do segmento premium, tais como Mytheresa ou L'Exception.

"Estamos vivendo um momento muito especial. Além da crise econômica, nos últimos anos o sistema da moda tem sido atingido pelos violentos tremores que sacodem a distribuição. O crescimento do e-commerce e as dificuldades das lojas de departamento estão perturbando o equilíbrio", analisa o responsável pela Onward Luxury Group, Franco Pene, que detém Jil Sander, Joseph, entre outras.

O presidente da Milano Unica, Ercole Botto Poala, manteve o mesmo discurso na terça-feira (11) durante a inauguração da feira têxtil italiana, que adiantou sua edição de setembro para julho deste ano, de forma a se encaixar nas mudanças do mercado. "A distribuição está sofrendo uma transformação radical. Se não tomarmos as medidas certas agora, investindo mais em tecnologia, corremos o risco de perder a batalha", alertou.

No entanto, algumas lojas estão seguindo outro direcionamento, como é o caso da Dover Street Market, multimarcas ligada à Comme des Garçons, que está prestes a abrir uma nova loja em Los Angeles, após inaugurar espaços em Londres, Tóquio e Nova York. Esta também optou pela estratégia de colaborações,  acolhendo lojas pop-up, como a da Fendi.

Outras entraram cedo na revolução digital, como a famosa loja de Florença Luisaviaroma, que iniciou na Web em 1999. Hoje, o seu e-commerce representa 95% do seu volume de negócios, que chegou a quase 130 milhões em 2016. Ela acaba de lançar uma série de colaborações com grandes nomes da moda, como Sergio Rossi e Dolce & Gabbana.

Traduzido por Novello Dariella

Copyright © 2017 FashionNetwork.com. Todos os direitos reservados.

Moda - Pronto-a-vestirDistribuição