O futuro já chegou e a têxtil tem que o abraçar

Foi a uma só voz que o XX Fórum Têxtil concluiu pela urgência na adaptação da indústria às novas realidades. A sociedade digital, os valores da sustentabilidade e responsabilidade social já aí estão, e com eles uma mudança de paradigma económico à qual a indústria têxtil tem de se adaptar se quer continuar a prosperar.


Transição e mudança foram as duas palavras chave que Daniel Bessa usou para caracterizar uma reunião que celebrou os sucessos do passado – as 20 edições do Fórum, os 15 anos da fusão que deu origem à ATP e os “notabilíssimos êxitos dos últimos anos” – mas ousou ter os olhos postos na preparação de um futuro que está a chegar cada vez mais depressa. E a conclusão é óbvia: “A receita que funcionou até agora não vai funcionar para sempre”, advertiu o conhecido economista nos comentários finais.

Perante uma plateia que reuniu a nata da ITV e fez transbordar o auditório do CITEVE, o professor Jorge Vasconcelos e Sá mostrou que “quem se adaptar tem vantagem competitiva, porque na luta pela sobrevivência, não se ser competitivo é ser-se culpado”, e recomendou o que, para além do marketing, as empresas não devem focar toda a sua produção num só produto, o que pode ser fatal no seu crescimento.

Ou seja, nestes tempos de domínio do digital é fundamental conhecer o consumidor de amanhã, ter modelos de negócio diferenciados que tenham em conta os valores do consumidor e as novas tecnologias, como explicou Ana Roncha, do London College of Fasion. Uma mudança de paradigma que, na perspetiva da indústria, Miguel Pedrosa Rodrigues sintetizou com uma questão de algoritmos e métrica. “Temos que adotar uma nova métrica. As decisões que tomávamos com base nos valores do passado, têm que se assumidas a olhar para o futuro, com base nos algoritmos que nos mostram os anseios e perfil do consumidor ao qual nos queremos dirigir”, disse o gestor da Pedrosa & Rodrigues.

E se foi, precisamente, com os olhos no futuro e o foco da digitalização e indústria 4.0 que a ATP organizou o XX Fórum Têxtil, o passado também não foi esquecido. O balanço dos últimos 15 anos – iniciados com a fusão que deu origem à ATP – e as perspetivas para os próximos 15 foram o tema da intervenção de Paulo Vaz, que falou de um setor que é um exemplo  luminoso de reindustrialização.

A ITV está há três anos consecutivos a criar emprego líquido, sendo que os 12 853 postos de trabalho criados entre 2013 e 2017 representam um crescimento de 10% no emprego do setor – revelou Paulo Vaz, diretor geral da ATP, numa intervenção em que prestou homenagem aos profissionais do setor e anunciou a instituição do Dia do Trabalhador Têxtil, que passa a ser celebrado no dia 4 de julho.

Também o ministro da Economia, que abriu o encontro, elogiou a capacidade inovadora da ITV e a dinâmica das suas associações empresariais, tendo anunciado que o Governo vai lançar nas próximas semanas uma linha de apoio às exportações no valor de 600 milhões de euros, que já deverá estar disponível no final deste mês. Caldeira Cabral desfiou elogios sobre a ITV, dando-lhe os parabéns por ter conseguido entrar no futuro sem esquecer as suas tradições, mas sobretudo pelo peso crescente que o setor têxtil e do vestuário tem nas exportações e na criação de emprego.

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