Penas transformadas em fibras têxteis

Desde 2006, investigadores da Universidade de Nebraska-Lincoln, nos EUA, estão a tentar converter penas de aves em têxteis comercialmente viáveis. O projeto ganhou agora novo fôlego com o balão de oxigénio de mais de 200 mil dólares atribuído pelo Nebraska Environmental Trust. A indústria avícola é uma força condutora da economia do estado norte-americano.


Dirigido pelo professor Yiqi Yang na Universidade de Nebraska-Lincoln, o projeto de I&D está, há mais de uma década, focado no desenvolvimento de têxteis fabricados com fibras de queratina obtidas a partir de penas. Os têxteis produzidos com estas fibras proteicas têm propriedades de desempenho incomparáveis, incluindo gestão de humidade, isolamento térmico, toque macio e brilho, segundo Yang.

«As fibras resultantes da nossa investigação podem ser usadas pela indústria têxtil e também têm potencial para a indústria biomédica», revela o professor da Universidade de Nebraska-Lincoln. «Até onde sabemos, não foi desenvolvido ainda nenhum método eficaz para produzir fibras de queratina regenerada, apesar dos esforços globais realizados ao longo das últimas duas décadas», afirma.

Com um financiamento de 211.885 dólares (cerca de 180.897 euros) atribuído no final de junho pelo Nebraska Environmental Trust para implementar, durante os próximos dois anos, uma linha piloto de produção, Yiqi Yang vai agora prosseguir a investigação iniciada em 2006, cujo objetivo é primeiramente produzir fibras à escala laboratorial, que possam ser fiadas, e depois procurar melhorar o processo numa linha-piloto.

Com a cooperação da indústria do vestuário, Yang espera fabricar fibras e fios de queratina em número suficiente para conceber peças de vestuário. De acordo com o responsável pela investigação, as fibras de queratina regenerada terão propriedades de desempenho semelhantes às fibras de lã e aspeto próximo da seda.

Entretanto, a equipa de investigação está também a trabalhar num solvente de base aquosa eficiente e de baixo custo que simultaneamente dissolva e “desreticule” a queratina das penas, sem danificar as cadeias proteicas que conferem às fibras as suas propriedades têxteis desejáveis.

O projeto pode originar novos mercados, negócios e postos de trabalho para os criadores de aves do Nebraska e para a indústria no geral, acredita Yang, acrescentando que pode ainda resultar no uso viável de resíduos provenientes de aves e têxteis.

A investigação da Universidade de Nebraska-Lincoln está a utilizar atualmente penas daquilo que designa por “produtor de penas limpas”, mas no futuro Yiqi Yang adianta que gostaria de trabalhar diretamente com penas da indústria avícola local, um sector-chave na economia do estado norte-americano.

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