Pitti 94: novo ministro italiano da Cultura estreia-se na moda

O novo ministro italiano da Cultura, Alberto Bonisoli, fez a sua estreia na moda na terça-feira de manhã, no célebre Salone dei Cinquecento de Florença, na abertura da 94ª edição do salão masculino Pitti Uomo, conquistando, com os seus elogios à indústria da moda, uma plateia inicialmente cética.


Photo: FashionNetwork.com/ Godfrey Deeny

“Acredito que a moda não é apenas um negócio, mas uma parte fundamental da nossa cultura italiana. Por isso, quando me pediram para vir ao Pitti, libertei imediatamente espaço na minha agenda”, disse Bonisoli a uma plateia de executivos de moda, editores visitantes e várias equipas locais de televisão e imprensa na enorme sala, famosa pelos seus impressionantes frescos renascentistas.

“Em 2009, houve um evento em Milão intitulado Cultura e Moda, mas, na minha opinião, precisamos de ser mais corajosos e dizer que moda é cultura”, acrescentou Bonisoli, nomeado ministro, a 31 de maio, pela nova coligação, apelidada de M5S+Lega, visto que os seus principais componentes são o Movimento Cinco Estrelas e a Liga Norte.

"É o momento de reconhecer a importância da moda na criação da nossa cultura italiana, que é apreciada em todo o mundo", acrescentou Bonisoli, de 56 anos, que é uma espécie de especialista em moda. Antes de entrar para o governo, foi reitor da Nuova Accademia di Belle Arti Milano (NABA), a respeitada universidade de arte e moda de Milão. A NABA, a escola de design Domus Academy, várias outras escolas e o Istituto Marangoni, a mais famosa escola de moda de Itália, foram reunidos, em novembro de 2017, num novo grupo de moda e design chamado Gruppo Galileo Italia. Este grupo é propriedade da Galileo Global Education, o enorme conglomerado internacional que controla cerca de 32 universidades em 10 países. Antes de dirigir a NABA, Bonisoli foi professor de Gestão de Inovação na Bocconi, a principal escola de negócios de Itália, após um período como gestor na GFT, uma fabricante de roupa de alta gama outrora colossal.


Pitti Uomo 94 - Photo: FashionNetwork.com/ Godfrey Deeny

Como é que as experiências de moda influenciam a sua estratégia como ministro da Cultura, perguntou a FashionNetwork.com a Bonisoli.

“Acho que posso trazer duas coisas. A primeira, é que vejo a cultura sob uma perspetiva ligeiramente mais ampla do que, talvez, outros especialistas proeminentes. Pela simples razão de ter vindo das artes aplicadas. E, em segundo lugar, como em qualquer organização, o ministério tem a responsabilidade de adquirir, desembolsar, gerir, planear e controlar recursos. E isso é o que eu faço todo o dia, é a minha especialidade. Por isso, acho que posso ser útil”, disse Bonisoli sorrindo.
 
Bonisoli chegou a Florença após o ministro do Interior, Matteo Salvini, ter sido notícia internacional, na segunda-feira, por se recusar a permitir que o navio de resgate Aquarius, que transportava 629 migrantes, atracasse em qualquer porto italiano. Eventualmente, Espanha concordou em receber esses refugiados. "A partir de hoje, Itália também começa a dizer não ao tráfico de seres humanos, não aos negócios de imigração ilegal", disse Salvini, que fez campanha para deportar 500 mil migrantes a viver ilegalmente em Itália.

Em contraste, a antiga casa de Bonisoli, a NABA, gaba-se no seu site de contar mais de 70 nacionalidades no seu corpo estudantil. Não terá o ministro visto nenhuma contradição na sua posição?

“Acho que são dois eventos completamente distintos. O que pedimos ontem - corretamente, ainda que assertivamente - foi algum sinal concreto de solidariedade de outros membros da União Europeia. Sem nenhum outro propósito. Espanha, fico feliz em dizer, finalmente ouviu. E acho que isso abre boas perspetivas para o futuro. Uma é a gestão dos fluxos de imigração e a outra é a abertura da nossa educação a novas pessoas e ideias”, concluiu Bonisoli.

Alguns membros do novo governo, especialmente Salvini, têm atacado a imprensa por supostamente produzir “notícias falsas”. No entanto, Bonisoli insistiu que quer que a imprensa seja altamente independente.

“A imprensa é fundamental. É a nossa primeira linha de defesa em democracia. E deve ser implacável, impiedosa e intransigente”, insistiu o ministro.

Bonisoli, cujo ministério também supervisiona o papel do turismo, sugeriu que o estado poderá abrir um novo museu de moda dedicado aos arquivos, designs e recursos de tecidos de casas de moda conhecidas.

“Algo que daria uma verdadeira visibilidade a esse património único no nosso país. Por isso, um investimento nesta área deve ser encorajado. E não apenas criar um museu, mas também usar novas tecnologias ”, acrescentou.

Traduzido por Estela Ataíde

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