Porto.ModaPortugal: são todos vencedores

Do sourcing ao design, passando pela excelência empresarial, o grande dia do evento Porto.ModaPortugal, organizado pelo CENIT, foi dedicado à coroação dos jovens designers na corrida à Fashion Design Competition, à distinção das empresas nacionais que deram cartas em 2016 e, sobretudo, ao reconhecimento de Portugal como bom aluno do sourcing europeu.


O dia de ontem foi longo, até porque, sem sair da cidade eleita Melhor Destino Europeu de 2017, todos os que se deslocaram ao Palácio da Bolsa foram convidados a explorar a cadeia de aprovisionamento europeia, as salas de aula das escolas de design de moda do Velho Continente, os corredores das empresas têxteis nacionais e, até, o reportório da fadista Gisela João, que abrilhantou a noite.

Portugal, o bom aluno do sourcing

Os salários, as taxas de câmbio dólar-euro, a geopolítica e a gestão da cadeia de valor são alguns dos fatores que influenciam o sourcing na Europa, como mostrou o estudo “Sourcing Trends”, apresentado ontem por Dominique Jacomet, presidente do Institut Français de la Mode (IFM).

A intervenção do presidente do IFM, inserida na conferência “Design & Sourcing in Europe”, promovida pelo CENIT em parceria com a Anivec – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção e a Apiccaps – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos chamou a atenção dos presentes para a «oportunidade geográfica» da aposta crescente do nearshoring (aprovisionamento de proximidade), mas garantiu que, apesar do crescimento dos custos com a mão de obra, por exemplo, ainda «não existe outra China».

Além da intervenção de Dominique Jacomet, a conferência contou também com um painel dedicado a “Comprar na Europa”, com a participação de Lars Gotterup, buyer de moda na Win-Win Textiles, Margarida Nascimento, diretora de produto da divisão de moda Zippy Sonae, Pedro Nogueira, production country manager da H&M, e Alessandro Pane, diretor da cadeia de aprovisionamento da Alfred Dunhil (numa comunicação em vídeo).

«Portugal tem uma mente bastante aberta, com empresários cada vez mais orientados para a tecnologia, mais interessados em novas tecnologias», reconheceu Pedro Nogueira em declarações ao Portugal Têxtil. Na sua intervenção, o production country manager da gigante sueca da moda rápida destacou, entre outros pontos, que muitos dos artigos das coleções-cápsula fruto da colaboração da H&M com marcas de luxo são garantidos por empresas portuguesas, do vestuário ao calçado, e que a marca tem contado com o apoio da Valérius na sua jornada da economia circular.

Com 27% da produção garantida em Portugal em 2016, segundo Margarida Nascimento, a Zippy, que tem vindo a conquistar o Médio Oriente nos últimos anos, também tem contado com o apoio das empresas nacionais no campo da ecologia.

«Só trabalhamos com Portugal, dentro da Europa. A qualidade das matérias-primas, dos acabamentos, da confeção e a garantia que nos dá em termos de sustentabilidade para nós é muito importante», reforçou.

A qualidade, a resposta rápida e o know-how são outras das valências que garantem as notas mais altas a Portugal e o distinguem dentro da turma de alunos do sourcing europeu.

«Penso que Portugal, dentro da Europa, é o mercado mais importante em termos de sourcing, porque tem de tudo. Embora seja um mercado pequeno, é um mercado flexível e conseguimos servir os clientes dentro de várias categorias de produtos e com resposta rápida. Depois é um mercado com muitos anos de experiência e com qualidade», afirmou Lars Gotterup.

Durante a conferência “Design & Sourcing in Europe”, houve ainda tempo para as intervenções de César Araújo, presidente da Anivec, e de Ana Teresa Lehmann, Secretária de Estado da Indústria.

«Saímos desta conferência mais seguros de que a indústria de vestuário se orgulha do passado, mas que se afirma no presente e se abre para o futuro», assegurou o presidente da Anivec. «Não será demais recordar a notável reconversão do sector após a liberalização do comércio mundial em 2005, a indústria do vestuário foi então forçada a uma profunda reestruturação, se assim não fosse, o país teria perdido um dos seus sectores mais importantes no investimento, no emprego e na internacionalização», destacou.

Por sua vez, Ana Teresa Lehmann sublinhou o papel «importantíssimo da moda para o país», reforçando que o têxtil e o calçado «estão a bater recordes históricos nas exportações».

Já o painel dedicado às escolas europeias de design de moda deixou conhecer os currículos da AMD München, Alemanha, La Cambre, Bélgica, IED Madrid, Espanha, Esmod, França, e da Polimoda, Itália, instituições de ensino dispostas a explorar as sinergias com as homólogas portuguesas.

Excelência empresarial sobe ao palco

Como não se pode falar de aprovisionamento em Portugal sem se falar do trabalho que as empresas têm desenvolvido em prol do reconhecimento do país no mapa de sourcing global, o dia de ontem distinguiu, com os prémios de Excelência Empresarial para o sector do vestuário, aquelas que mais se destacaram em áreas como a inovação tecnológica, a sustentabilidade ou a responsabilidade social.

«É sempre bom sermos reconhecidos pelo esforço que fazemos para investir neste país», realçou Luís Guimarães, presidente do grupo Polopique, vencedor na categoria de maior volume de investimento em 2016.

Durante a cerimónia, a excelência da Salsa foi reconhecida com o prémio na categoria de produto moda e a Petratex coroada pela inovação tecnológica que encerra dentro de portas. A Trotinete venceu na categoria de sustentabilidade e a Impetus foi distinguida pelas suas políticas de responsabilidade social. A Confetil subiu ao palco para receber o prémio de excelência empresarial na categoria de maior crescimento no volume de exportações e a Pocargil na categoria de maior crescimento no volume de negócios. A Associação Internacional para a Etiquetagem de Conservação de Têxteis Ginatex recebeu o vivo prémio parceria internacional, a La Paz foi distinguida na categoria de marca e Luís Buchinho na de designer.

«Foi super inesperado, não vim aqui a contar com o prémio, vim aqui a contar com uma noite bem passada», confessou o criador de moda, que recentemente inaugurou a nova loja na rua de Sá da Bandeira, no Porto, e lançou um portal de comércio eletrónico, apostando na estratégia omnicanal para a marca epónima.

Cyril Bourez e Daniel Gonçalves vencem Fashion Design Competition

Em declarações ao Portugal Têxtil, Luís Buchinho não deixou de realçar a importância da Fashion Design Competition, que na edição anterior contou com o designer no papel de jurado.

«Acho que esta iniciativa é louvável, sem dúvida», afirmou, considerando que, nesta que 4.ª edição do concurso europeu de jovens talentos, «houve propostas com elevado e equiparado nível de qualidade» e que, por isso, os jurados terão tido uma tarefa árdua na seleção dos derradeiros vencedores.

Os 33 candidatos de 14 escolas de design de moda e de calçado da Europa que estão desde domingo no Porto conheceram também ontem o veredito do júri internacional presidido por Eduarda Abbondanza, presidente da associação ModaLisboa.

O jovem designer Cyril Bourez, que defendeu os currículos da instituição de ensino belga La Cambre, subiu duas vezes ao palco. A primeira para receber o prémio de melhor coleção de vestuário por país (com o valor pecuniário de 2.500 euros) e a segunda para ser reconhecido pela melhor coleção global de vestuário (prémio de 5 mil euros).

«Gostava de investir este dinheiro numa próxima coleção», revelou o duplamente vencedor ao Portugal Têxtil, explicando que tem o sonho de criar a marca epónima.

No calçado, que entrou pela primeira vez no concurso europeu de design, também o jovem designer Daniel Gonçalves ouviu o seu nome duas vezes. Representando a Lisbon School of Design, Daniel Gonçalves acumulou o prémio do país com o de melhor coleção global de calçado.

«Tentei basear-me um pouco no que é a história de Portugal a nível marítimo. Tentei colocar alguns elementos náuticos, como as cordas, os ilhós», elucidou sobre a coleção que arrebatou o júri.

Marilyn Hampartzounian (França), Otilia Vlad (Alemanha), Beatrice Mason (Itália), Möh (Espanha), Jaehwa Rhee Soorhee (Reino Unido) e o aluno do Modatex Filipe Augusto levaram também para casa 2.500 euros pela melhor coleção de vestuário por país.

James Harmakis (Espanha), Barbara Bugyíková (República Checa) e Stephanie Lundby (Itália) foram coroados com os prémios de melhor coleção de calçado por país.

«Acho muito importantes estes meetings points onde se juntam pessoas de vários sectores, é sempre uma forma de internacionalizar, neste caso, a cidade do Porto», concluiu Eduarda Abbondanza.

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