Proenza Schouler regressa a casa em grande estilo

Depois de três coleções em Paris, a marca nova-iorquina Proenza Schouler fez um regresso triunfal a Manhattan com uma coleção habilmente revolucionária, apresentada com uma certa ironia num bastião do capitalismo americano: Wall Street.


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Proenza Schouler - primavera- verão 2019 - Moda Feminina - Nova Iorque - © PixelFormula

Apresentada na segunda-feira à tarde num edifício abandonado propriedade de um banco, onde os convidados tinham que subir para um espaço bruto no segundo andar através de um elevador fora de serviço, tratou-se de uma demonstração de moda com uma dimensão artística assumida. Acabaram-se os bordados, as penas, os tecidos e os trabalhos em couro que marcaram o seu hiato parisiense.
 
Em vez disso, esta coleção bruta e cheia de audácia foi inteiramente composta por denim japonês, gabardine e algodão popeline, todos tratados, costurado e montados em Nova Iorque e Los Angeles.
 
Denim lavado com ácido, digno de um camionista da Alemanha Oriental, cortado num vestido com muitos folhos; uma camisa em gabardine prata metalizada usada com uma saia em denim preto costurada com ponto de sela; calças de pintor de dimensões elefantinas combinadas com tops de algodão ou ainda sacos gigantes de carpinteiro com o logótipo da marca. Camisas e tops tie and dye complementados com imagens de imponentes arranha-céus misturados com rosas.
 
A maioria das silhuetas continham calças amarradas ou enroladas sobre um par de escarpins. Simples e ainda assim extremamente moderna, tratou-se sem dúvida da coleção mais original desta temporada nova-iorquina. Um regresso triunfal à sua terra natal por Jack MacCollough e Lazaro Hernandez.
 
A dupla trabalhou em estreita colaboração com a artista berlinense Isa Genzken, cuja instalação serviu de entrada para o desfile: uma série de cinco manequins parcialmente vestidos com camisas Proenza Schouler, vestidos de nylon e óculos, com fotografias em redor do pescoço.


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Proenza Schouler - primavera- verão 2019 - Moda Feminina - Nova Iorque - © PixelFormula

"Isa sempre foi uma referência para nós. Em junho, ligámos-lhe e sugerimos esta ideia", explicou Jack.
 
"Não queríamos uma colaboração. Achamos que esse conceito é demasiado usado hoje em dia ", acrescentou Lazaro.

"Mas, gostamos da ideia de nos apoiarmos nas ideias uns dos outros", continuou Jack.
 
"Dois trabalhos independentes que interagem", concluiu Lazaro, dizendo que quando enviou várias peças para Isa Genzken na Alemanha, não faziam ideia do que a artista faria. No final, tornou-se uma instalação e começaram a improvisar a partir daí.
 
Apenas 30 silhuetas e uma lista de convidados reduzida pela metade, com apenas 200 pessoas: foi um desfile muito focado e melhor por isso mesmo.
 
"Na última temporada, tínhamos explorado o tie-dye, e descobriu-se que o nosso bestseller parisiense era um longo vestido tie-dye em jersey de veludo. É também o que mais tem sido fotografado em revistas. O que nos fez perceber que talvez os ornamentos não fossem assim tão necessários. Nem tudo precisa de custar 12 mil dólares!”, concluiu Jack McCollough rindo.  

Traduzido por Estela Ataíde

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