Ralph Toledano confirma sua saída do Grupo Puig à FashionNetwork

Ralph Toledano, um dos dirigentes mais respeitados no mundo da moda e do luxo francês, deixou suas funções de presidente da divisão de moda do grupo Puig, assim como da presidência da Nina Ricci e da Jean Paul Gaultier. Estando entre os dirigentes mais respeitados no mundo da moda e do luxo francês, ele continuará no seu cargo de presidente da Câmara Sindical da Alta Costura, um posto que ocupa desde 2014. A Puig anuncia, por sua vez, que é José Manuel Albesa que lhe sucederá à frente da sua divisão de moda, a partir de 3 de abril.

Ralph Toledano - Puig

"De fato, eu saí no fim de janeiro. Saí porque eu fiz o que devia ser feito, recolocando a Jean Paul Gaultier nos trilhos e introduzindo todos os elementos do sucesso na Nina Ricci, como mostrou Guillaume Henry durante sua última apresentação este mês", declarou assim Ralph Toledano ao FashionNetwork.com.
 
Ralph é há muito tempo reconhecido por sua capacidade de encontrar novos talentos. Enquanto estava na Guy Laroche nos fins dos anos 90, ele descobriu e contratou Alber Elbaz, lançando assim uma das mais belas carreiras no mundo da moda dessas últimas duas décadas. Ele também contratou Guillaume Henry para a Nina Ricci e Julien Dossena para a Pacco Rabanne – dois jovens criadores franceses hoje aclamados pelos críticos.
 
"Terminei meu trabalho e a hora chegou de passar para outra coisa. Realmente apreciei esses cinco anos – em particular trabalhando com as equipas que montei. As pessoas que estão aí agora são muito boas", acrescentou, por outro lado, o dirigente.
 
Na Nina Ricci, Ralph Toledano escolheu Sophie Templier para assumir a direção da Casa de Moda. "Sophie trabalhou comigo durante 15 anos e eu a formei para assumir essas responsabilidades", explicou Ralph Toledano, que também nomeou Sophie Waintraub para a direção da Gaultier.
 
Na Gaultier, ele geriu a reestruturação das atividades de moda da Maison, abandonando o pronto-a-vestir, não rentável, mantendo a atividade de alta costura. A divisão de perfumes da Gaultier, outrora sob as asas da Japonesa Shiseido, é bastante rentável e passou a fazer parte do grupo Puig no ano passado.
 
Nesses dois anos, a Kering substituiu mais da metade dos CEOs das suas grifes de luxo, enquanto a Burberry buscou seu novo CEO na Céline – Marco Gobbetti – e a Ralph Lauren despediu seu CEO, Stefan Larsson. Basta saber se sua saída se inscreve no âmbito dessas grandes mudanças no setor do luxo, com Ralph Toledano respondendo com uma negativa.
 
"Eu diria que na Kering, nós assistimos à saída da equipe montada por Tom Ford dentro do grupo Gucci – e isso levou quase uma década", aliás, explicou Ralph Toledano, referindo-se assim ao criador americano que, junto com Domenico de Sole, então CEO da Gucci, havia adquirido um grande número de marcas – em especial a Bottega Veneta, Stella McCartney, Balenciaga e Alexander McQueen – no início do século, para um grupo que mais tarde ia se tornar a Kering.
 
No que diz respeito à Burberry, Ralph Toledano estima que a empresa simplesmente entendeu que era uma má ideia ter um criador – Christopher Bailey – que fosse também CEO, e, assim, depois de dois anos eles contrataram um dirigente, Marco Gobbetti, para corrigir a situação. E quero lembrar que Marco trabalhou na LVMH durante quase 10 anos. E na Ralph Lauren, diria que se trata de uma história clássica que ilustra as dificuldades de integrar um novo dirigente em uma empresa familiar".
 
No entanto, ela também acabou por arranjar "um sistema de bode-expiatório. Se as coisas não vão bem, jogamos a culpa sobre o CEO, sobre o criador. E, na realidade, o mercado atual está bem difícil".
 
Sediado em Barcelona, o grupo Puig é um dos 10 maiores grupos de luxo do mundo. A maior parte do seu volume de negócios é gerada por sua divisão de perfumes, principalmente aqueles ligados às suas Casas de Alta-Costura: Carolina Herrera, Paco Rabanne, Nina Ricci e Jean Paul Gaultier. O grupo familiar cria também perfumes sob licença para a Valentino, Prada e Comme des Garçons.
 
Enquanto a Puig alcançou seu sucesso no mundo dos perfumes, com vendas anuais em torno de 1.500 milhões de euros, seus investimentos no setor da moda deram resultados menos espetaculares. Existe uma certa análise segundo a qual todo o seu seguro catalão, que faz do grupo o equivalente ao FC Barcelona no mundo da moda, explicaria como eles se revelaram dirigentes menos experientes no mundo da alta-costura, dependentes da concessão de uma independência criativa e de seu apoio financeiro a seus designers.

Traduzido por Anderson Alexandre Da Silva

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