Riopele vai produzir tecidos com restos agro-alimentares

O projeto da produção de tecidos feitos a partir da reciclagem de restos de tecidos e fios e de desperdícios da indústria agroalimentar, que a Riopele está a desenvolver, entrou já na fase de pré-industrialização.

Os novos tecidos, desenvolvidos na vertente de moda que se destinam à confeção e com propriedades funcionais (neutralização de odores, atividade antimicrobiana, prebiótica, antioxidante, entre outras), deverão ser mostrados ao mundo no final do primeiro semestre do próximo ano.
O próximo passo, que será dado ainda este ano, será a industrialização, seguindo-se a apresentação em meados do próximo ano, de forma a serem comercializados já para a colecção Outono/Inverno de 2019.

Grosso modo poder-se-á dizer que a reciclagem dos restos de tecidos e fios será utilizada na produção dos tecidos e o aproveitamento dos desperdícios agro-alimentares nos acabamentos desses mesmos tecidos.

Atualmente a reciclagem de resíduos agroalimentares, ricos em proteínas e polissacarídeos, tem permitido desenvolver trabalho na extração de ingredientes funcionais, com aplicações na alimentação, cosmética e biomédica.

Através do projeto R4Textiles, cofinanciado pelo COMPETE 2020, a Riopele utiliza esses resíduos provenientes das indústrias de carnes que apresentam um enorme potencial de valorização no acabamento têxtil.

O projeto R4Textiles visa desenvolver têxteis sustentáveis – reutilizados e funcionais – com base na valorização de rejeitados têxteis e agroalimentares de forma a pôr em prática o novo paradigma da economia circular.

Tradição e inovação são duas palavras-chave para a Riopele que tem uma longa história e um saber-fazer único. A empresa tem levado a cabo um intenso trabalho de pesquisa de tendências e de comportamentos, investindo fortemente em Investigação & Desenvolvimento.

Num contexto actual de consciencialização ambiental, a Riopele pretende apostar numa estratégia de investigação que conduza à adopção de políticas sustentáveis, de redução do impacto ambiental, assente na valorização dos resíduos têxteis (iniciando com os gerados na sua unidade), e de subprodutos de indústrias agroalimentares próximas geograficamente. Quer no caso dos resíduos têxteis, quer no dos resíduos agroalimentares, existem desafios na investigação, ao nível do processamento e da sua aplicabilidade na produção de novas estruturas têxteis.

É neste contexto que surge o projeto R4Textiles, cujos principais objetivos são: design e construção de novas peças/estruturas têxteis com base em resíduos têxteis – fios, telas e tecidos, com ou sem processamento prévio, para eliminação de elastano; produção de tecidos funcionais inovadores com incorporação de ingredientes extraídos de resíduos agroalimentares, para obtenção da funcionalidade de neutralização de odores, e outras propriedades valorizáveis no acabamento têxtil (antimicrobiano, prebiótico, antioxidante, anti-estático, toque melhorado).

Promovido pela Riopele, o projeto R4Textiles é cofinanciado pelo COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Incentivos à I&DT e envolve um investimento elegível de cerca de 978 mil euros, a que corresponde um incentivo FEDER de 602 mil euros.

Neste projecto estão também envolvidos o Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (CeNTI), o Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal (CITEVE) e a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (ESB).

A Riopele centra a sua atividade na criação e na produção de coleções de tecido de valor acrescentado para vestuário. Localizada em Pousada de Saramagos, no concelho de Vila Nova de Famalicão, a empresa é uma das mais antigas e conceituadas da indústria têxtil portuguesa, que completa 90 anos em 2017.

De pequena empresa familiar, a empresa evoluiu para uma organização em grande escala, integrando verticalmente as áreas da fiação, da tecelagem, da tinturaria e dos acabamentos.
Hoje, constitui uma das empresas portuguesas de referência no setor têxtil e uma das grandes exportadoras nacionais. A Riopele opera em todo o mundo através de uma vasta rede de agentes que lhe permite exportar cerca de 98% da sua produção de tecidos de moda para vestuário.
O percurso da Riopele está associado ao da família Oliveira. A atual administração é presidida por José Alexandre de Oliveira, neto do fundador, o qual, hoje, detém a totalidade do capital social.

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