Tecnologias de voz fazem-se ouvir em 2018

A revolução que fez com que o retalho saltasse das vendas em loja para as vendas em computadores e, daí, para os smartphones pode estar prestes a conhecer uma nova fase. Até 2022, as tecnologias de voz vão assegurar quase todas as necessidades dos consumidores.


As compras efetuadas através de dispositivos como o Google Home e o Amazon Echo deverão escalar dos atuais 2 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,6 mil milhões de euros) para os 40 mil milhões de dólares até 2022, à medida que a tecnologia se torna mais sofisticada, os consumidores dos EUA mostram mais apetência perante estas soluções e os próprios dispositivos assistidos por voz se tornam tão comuns nas casas como uma televisão, de acordo com um estudo da OC & C. Strategy Consultants divulgado pelo USA Today.

«Olhamos para isto como o próximo grande jogo disruptivo no retalho dos EUA», revela John Franklin, sócio da OC & C, que inquiriu 1.500 proprietários desse tipo de tecnologias em dezembro último.

Graças ao Amazon Echo, a popularidade dos dispositivos assistidos por voz aumentou em 2017. A tecnologia de voz da Amazon foi a estrela da feira de tecnologia CES em várias edições. Porém, em 2018, há novos jogadores – com a Google a aquecer para ganhar a corrida da inteligência artificial à Amazon.

Os campos de batalha estão a ser desenhados entre a Amazon e a Google porque, combinados entre as duas empresas, já foram vendidos cerca de 30 milhões de dispositivos assistidos por voz. Há outros assistentes inteligentes – a Samsung tem a Bixby e a Microsoft tem a Cortana – mas, comparativamente, ambos deixam a desejar.

Por enquanto, a utilização mais popular dos dispositivos assistidos por voz prende-se com pedidos de playlists ou informações meteorológicas, segundo a OC & C. Mas, considerando que os dispositivos assistidos por voz são capazes de regular temperaturas e, até, de dar conselhos de estilo, espera-se que as tecnologias de voz assumam cada vez mais protagonismo no palco dos dispositivos de Inteligência Artificial (IA). Neste âmbito, estima-se que as vendas de produtos inteligentes para o lar totalizem 4,5 mil milhões de dólares este ano, 34% acima de 2017, de acordo com a Consumer Consumer Association.

Entre os consumidores dos EUA com dispositivos assistidos por voz, 62% usam-nos para comprar produtos alimentares (e outros itens) sendo que, segundo o estudo da OC & C., a percentagem de lares norte-americanos com a tecnologia deverá passar dos atuais 13% para 55% até 2022.

O domínio da Amazon

O Amazon Echo é usado em 10% dos lares norte-americanos, seguido do Google Home, com 4%, e do Cortana da Microsoft, com 2%.

Ainda assim, há obstáculos que podem abrandar a rapidez com que os consumidores fazem compras com tecnologias de voz e baixar os lucros dos retalhistas que as disponibilizam.

Atualmente, por exemplo, é difícil comparar preços ao fazer encomendas com os assistentes de voz, com os quais é necessário usar palavras-chave específicas como “Ok Google”. Para os retalhistas, a OC & C. descobriu que o valor médio do cesto de compras online para dispositivos eletrónicos ronda os 661 dólares, em comparação com os 239 dólares para encomendas com tecnologias de voz.

Depois, vem a questão da confiança. Entre os consumidores que ainda não fazem compras através de um dispositivo assistido por voz, apenas 45% confiam nas recomendações da tecnologia. Todavia, entre aqueles que já compram via voz, 83% afirmam ter confiança nas sugestões do dispositivo assistido por voz.

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