Um nome a decorar: Benedita Formosinho

Com um currículo onde consta a passagem pelo atelier de Ricardo Preto e a colaboração com a Burel Mountain Originals, Benedita Formosinho está a lançar-se a solo, num projeto que inclui a marca epónima de moda de senhora e um atelier aberto ao público onde vende também marcas de outros jovens designers emergentes.


Assumindo que a arte «sempre esteve presente» na sua vida, foi pela moda que Benedita Formosinho decidiu enveredar em termos profissionais. «A moda surgiu um pouco depois, a moda no seu estado puro, livre de preconceitos, a moda do ponto de vista do designer que a desenha e a cria como uma arte de vestir», revela a designer formada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, que confessa a vontade de criar «peças únicas, com cuidado e dedicação, tornando-as no ideal de cada pessoa que a usa».

Depois de estagiar na marca Ricardo Preto, em 2017, e de colaborar com a Burel Mountain Originals, no ano passado decidiu avançar com o projeto de longa data de criar uma insígnia própria. Nasceu assim a etiqueta Benedita Formosinho, uma marca de moda feminina com peças distintas que aliam o detalhe e o gosto pelas artes manuais e tradicionais a um estilo urbano, casual e dinâmico. «Normalmente, quando desenho penso na mulher em geral, procuro desenhar para todas as mulheres, pensar em todas as suas características e fisionomias. Contudo, acabo por me direcionar para uma mulher que aprecia um estilo descontraído, diferente, feminino, elegante, uma mulher que se interessa por peças feitas à mão, com detalhes muito próprios», explica ao Portugal Têxtil.

As peças – que privilegiam materiais de origem natural e encarnam os valores da sustentabilidade ecológica e social – são feitas pela própria Benedita Formosinho, em atelier, que conta agora com a ajuda de duas costureiras, até porque, refere, os pedidos têm vindo a aumentar. Mas a ideia é manter, em certa medida, a exclusividade de cada peça. «Produzo em quantidades limitadas, por um lado porque ainda não consigo, para já, ter uma produção muito elevada, mas também por opção, porque penso que cada modelo tem um número limitado para ser reproduzido para não deixar de se tornar único», justifica.

As redes sociais têm dado uma ajuda na divulgação da marca epónima, que está também a chegar ao público através do atelier que Benedita Formosinho abriu em Setúbal, onde vende também peças de outros designers emergentes. «Seleciono marcas com as quais me identifico, no conceito e no design, que também estão a começar, para poder dar a oportunidade de mostrar o seu trabalho, que nem sempre é fácil. É uma forma de dinamizar o espaço e dar a conhecer ao público diversas escolhas para comprar português», afirma a designer.

Inaugurado a 12 de maio, o espaço situado na Rua Detrás da Guarda tem atraído a curiosidade do público. «É algo novo que abriu na zona, uma coisa diferente, um espaço atelier/loja de design de moda em ambiente aberto ao público, onde a criação e a produção, por ser vista a acontecer por quem passa na rua e pelo cliente que está no espaço, suscita muito a atenção e o interesse», indica a designer.

Com a crença de que a experiência é fundamental para a venda, na medida em que os consumidores «podem experimentar as peças, tocar, sentir e solicitar algum ajuste que achem necessário chegando assim cada vez mais ao seu ideal, causando uma maior satisfação», a marca Benedita Formosinho está igualmente disponível para aquisição na concept store Wetani.lx e, em breve, nos espaços Les Filles e Icon, também em Lisboa. O canal online, apesar de tudo, não foi menosprezado, com a designer a abrir a possibilidade das peças com a sua etiqueta poderem ser compradas no website e através das suas redes sociais.

Passos importantes para atingir o objetivo de Benedita Formosinho de levar a sua marca a cada vez mais pessoas, a que soma a vontade de inovar dentro da moda. «Uma das minhas grandes paixões, para além do vestuário, são os acessórios, mais propriamente malas, mas como não me identifico com os materiais sintéticos disponíveis nem com a utilização de pele com proveniência animal, venho sempre a procurar outras matérias-primas, como aconteceu nesta coleção que lancei recentemente, com materiais como o junco orgânico e o burel. Gostava muito de, no futuro, lançar uma linha de acessórios com um material desenvolvido por mim, totalmente sustentável, natural e biodegradável, um material diferente. Andamos a trabalhar nisso e espero em breve ter novidades», admite.

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