Under Armour reduz a projeção de vendas devido aos maus resultados da América do Norte

A Under Armour Inc. reduziu as suas projeções para 2017 e reportou a sua primeira queda trimestral na receita desde que se tornou pública, refletindo o desafio que a empresa enfrenta com a feroz concorrência da Nike e da Adidas na América do Norte.


As ações da marca desportiva já figuram entre as de pior desempenho no S&P 500 do ano passado, e caíram 16% para 3,82 dólares na terça-feira (31), antes da abertura da Bolsa.

As ações da rival Nike também sofreram queda, assim como as de várias cadeias de retalho que vendem os produtos da Under Armour, como Dick's Sporting, Finish Line e Hibbet.

A empresa de roupa desportiva voltou a enfrentar dificuldades no seu maior mercado, a América do Norte, uma vez que a falta de inovação, juntamente com uma intensa guerra de preços entre os retalhistas, teve impacto nos lucros.

Uma parte dos problemas da Under Armour está ligada à crescente procura por peças "athleisure", que motiva os clientes a usarem roupas desportivas tanto em ambientes casuais, quanto formais.

Os retalhistas que faziam grande quantidade de stock desses produtos estão a começar a reduzir o espaço dedicado aos mesmos nas prateleiras das suas lojas, o que levou a uma queda de 12% nas vendas de atacado da Under Armour.

O reposicionamento da Adidas, que há apenas dois anos era uma marca pouco popular na América do Norte, também exacerbou os problemas da Under Armour, pois a empresa alemã conseguiu conquistar clientes graças às suas sapatilhas retro.

A receita da Under Armour caiu 4,5% ano-a-ano no trimestre encerrado em 30 de setembro, marcando a sua primeira queda desde que se tornou pública, em 2005. A empresa também culpou os "desafios operacionais" relacionados com a atualização dos seus sistemas de TI pela queda nas vendas.

A empresa com sede em Baltimore, Maryland, nos Estados Unidos, reduziua sua previsão de crescimento nas vendas ao menor valor estimado, anteriormente com expectativa entre 9% e 11%.

"Vai além de fatores externos", disse Neil Saunders, diretor geral da empresa de análise financeira GlobalData Retail, em um comunicado. "Isto mostra que existem problemas com a marca (Under Armour) e a sua proposta. Especialmente porque outras marcas e retalhistas não tiveram números tão desastrosos”.

A empresa também afirmou que o seu lucro líquido foi reduzido pela metade, para 54,3 milhões de dólares ou 12 cêntimos por ação Classe C, em parte devido a uma despesa de 85 milhões de dólares relacionada a encerramento de lojas e cortes de empregos.

Excluindo itens, a empresa obteve 22 cêntimos por ação, ultrapassando em três cêntimos o que os analistas da Thomson Reuters esperavam.

A empresa reduziu a previsão de ganhos ajustados para o ano inteiro para 18 a 20 cêntimos por ação, anteriormente estimados em 37 - 40 cêntimos.

Traduzido por Novello Dariella

© Thomson Reuters 2018 Todos os direitos reservados.

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