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21 de nov de 2014
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​Alberto Paccanelli (Euratex): "Livre-comércio U.E e EUA emperra nas regras de origem"

Publicado em
21 de nov de 2014

A Europa e os Estados Unidos estão a negociar na atualidade um possível acordo de livre-comércio transatlântico. A Confederação Europeia das Indústrias do Têxtil, Euratex, está a tomar parte nas difíceis negociações.

Em Budapeste para o Congresso da Confederação Europeia do Linho e do Cânhamo, há alguns dias, uma das organizações fundadoras da Euratex, o seu presidente Alberto Paccanelli destacou os pontos que estão a emperrar as discussões, sua visão do setor têxtil americano e a necessária instituição de uma fileira euro-mediterrânea.

Alberto Paccanelli - Foto : CELC


FashionMag.com: O que o senhor destaca das negociações em torno deste acordo?

Alberto Paccanelli: Trata-se de um assunto de suma importância para a Euratex. As negociações estão a ser mais longas que o esperado. Complicadas. Mas, uma vez que as agendas políticas estão carregadas, as duas partes querem concluir, o que é bom. Nós queremos um mercado mais desenvolvido, onde U.E e EUA caminhem juntos. Um passo importante para a economia mundial. Os Americanos querem uma seção separada no que concerne ao têxtil, contrariamente aos Europeus. Mas um belíssimo trabalho está a ser conduzido junto com os nossos homólogos da fileira têxtil americana.

FM: Qual é a principal dificuldade verificada?

AP: O livre-comércio U.E-EUA emperra nas regras de origem. Pois os Americanos querem basear-se em uma tripla transformação local da produção, notadamente para proteger a sua crescente atividade de fiação, quando os Europeus gostariam de permanecer com a dupla transformação, já que esta repousa num ‘sourcing’ mais global. É uma das principais questões. Se a regra europeia prevalecesse, este acordo seria um sucesso, oferecendo um grande potencial. Se não, poderia não ser muito benéfico ao têxtil europeu.

FM: Dentro de quanto tempo o acordo pode vingar?

AP: Vai depender da agenda. Esperamos chegar a um termo nos fins de 2015. Eu penso que pode ser feito. Vai depender da força da nova Comissão Europeia e da sua vontade de chegar a um acordo. Isso também diz respeito à equipa Obama, que quer ter alguma coisa para apresentar quando chegarem as eleições. Não sei qual será o impacto da recente vitória parlamentar dos Republicanos.

FM: Como o senhor vê a indústria têxtil americana?

AP: Os Estados Unidos tornaram-se um país muito competitivo de um ponto de vista manufatureiro. Em razão da sua produção de gás, da sua independência energética, a energia custa lá um terço do que se paga, por exemplo, em Itália. O custo do trabalho entra também, com a possibilidade de pagar dez dólares por hora quando se é o dobro disso na Europa. Eu penso que isso vai atrair muitos investidores manufatureiros nos próximos anos. Portanto, temos de ser muito mais prudentes nessas negociações de livre-comércio.

FM: Os EUA estão entusiasmados com muitas relocalizações têxteis. Um cenário como este é considerado na Europa?

AP: Se tivermos homens políticos inteligentes, é possível. Nossos custos de produção não são tão competitivos quanto deveriam. Você pode ver na Europa uma abordagem muito burocrática, com imposição de impostos tanto na energia como no trabalho. Isso limita a relocalização. Mas, se pudermos resolver este problema, poderemos reconduzir a produção.

FM: Reforçar os laços Europa-Turquia pode ajudar neste processo?

AP: De um ponto de vista estratégico, eu vejo a Turquia integrar a Europa. Seria importante para construir o que eu chamo de uma abordagem pan-europeia, integrando também o Norte da África. Na Europa, podemos oferecer muitos serviços. Mas precisamos de uma cadeia de valor integrada na zona, que permitiria concorrer com Índia e China. O processo foi lançado há dois anos. Agora é a hora da consulta dos diferentes países da União sobre o assunto.

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