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"Couro de ananás" oferece alternativa de moda vegan

Por
Reuters
Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
today 20 de dez de 2018
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access_time 2 Minutos
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A designer de moda Carmen Hinojosa criou o Piñatex, um tecido feito de fibras longas das folhas descartadas da fruta, que espera que ofereça à moda uma alternativa sustentável ao couro. A espanhola passou oito anos a desenvolver esta alternativa têxtil.


Um dos casacos de motociclista da Altiir feitos deste material sustentável


"Por serem finas, fortes e flexíveis, tive a ideia de criar uma rede com estas fibras, obtendo uma aparência semelhante à do couro", disse Hinojosa à Reuters.
 
"E foi o início deste novo material", acrescentou.

Hinojosa, que fundou a empresa Ananas Anam para comercializar o Piñatex, trabalha com produtores de ananás nas Filipinas, que colhem e extraem a fibra que é tratada em Espanha.
 
Para produzir um metro quadrado de Piñatex são necessárias 460 folhas deste fruto, um material que não escasseia. A produção global de ananás atingiu os 25 milhões de toneladas em 2016, segundo o portal Statistica.
 
A Ananas Anam sublinha que o desperdício dos 10 principais países produtores pode, em teoria, substituir 50% da produção global de couro.

Desde o seu lançamento comercial em 2015, o Piñatex tem sido usado por cerca de 500 fabricantes, incluindo nas sapatilhas vegan da casa de moda alemã Hugo Boss.


Sapatos de Piñatex da marca londrina Bourgeois Boheme


Todos os casacos de motociclista da pequena marca Altiir são feitos deste material.

"As pessoas chegam, tocam no produto e sentem-se atraídas por ele. No início, na maioria das vezes, pensam que é couro, mas depois tocam-no e percebem que não é ", disse o diretor criativo da Altiir, Timothy Turner-Sutton.
 
"É um material único. Quando se molha, seca como couro e comporta-se como couro em todos os aspetos, exceto que é completamente sustentável", acrescentou.

Além dos recursos necessários para criar gado para abater, os críticos da indústria do couro apontam para o uso de produtos químicos, com os resíduos dos curtumes a conterem uma grande quantidade de poluentes.
 
Grandes nomes da moda que se opõem ao uso de produtos de origem animal incluem a estilista britânica Stella McCartney, que argumenta que a indústria precisa de reduzir radicalmente os danos que causa ao meio ambiente.
 
No entanto, pelo menos por enquanto, tornar-se vegan não está ao alcance de todos os bolsos. Os casacos Altiir são vendidas por 680 libras (cerca de 750 euros).

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