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«Ninguém é feliz no mundo da moda»

Por
Portugal Textil
Publicado em
today 18 de dez de 2018
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A frase é da designer Francesca Giobbi, que marcou presença no seminário “Automação e Desemprego: Soluções”, a convite da Católica Porto Business School. Na sessão, apresentou o seu movimento “Fashion For Better”, que pretende tornar a indústria da moda mais sustentável, socialmente responsável e transparente.

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Versace, Miu Miu, Sergio Rossi, Prada, Armani, Gucci e Donna Karen são algumas das marcas que fazem parte do currículo de Francesca Giobbi. Dos seus 27 anos de experiência no mundo da moda, 11 foram passados em Milão, Itália, a trabalhar para grandes marcas como diretora de vendas. Além disso, ao longo de 16 anos, Giobbi desenvolveu a sua marca própria de sapatos de luxo, entre Itália, Brasil, Índia e China.

A designer brasileira foi convidada para o seminário da Católica Porto Business School, na última quinta-feira, onde começou por afirmar que «ninguém é feliz no mundo da moda». «Nem a pessoa que compra, porque a qualidade de hoje já não é a mesma. O produto já não é igual. Já não há exclusividade. Todos fazem o mesmo. É preciso repensar a indústria como um todo», defendeu Francesca Giobbi.

O impacto ambiental da indústria da moda, o trabalho escravo nos países em desenvolvimento e a concorrência desleal foram os fatores que levaram Francesca Giobbi a lutar pela mudança. «Há três anos, fui a Mumbai, a pedido de um cliente. Percebi que o mesmo fornecedor que faz as grandes marcas (Chanel, Dior, Dolce & Gabbana e outras) é o mesmo fornecedor que faz H&M e Zara. E os trabalhadores ganhavam 2,30 dólares por dia. Na época, a minha filha tinha a mesma idade que as meninas que lá trabalhavam, entre 12 e 13 anos. Foi um choque», contou. «O trabalho do segmento de luxo era feito de forma escrava», lamentou.

Francesca Giobbi quer aproveitar as potencialidades da indústria têxtil portuguesa e, por isso, escolheu Portugal para lançar uma nova plataforma online que, através do blockchain, disponibiliza ao consumidor informação detalhada acerca do produto que está a comprar: onde foi fabricado, por quem e qual foi o impacto ambiental e social do mesmo. Para isso, quer envolver pequenas marcas e designers, rejeitando as grandes cadeias e o trabalho escravo. A sustentabilidade no mundo da moda e as potencialidades dos consumidores que, atualmente, se preocupam com o meio ambiente são «enormes», garantiu, daí querer chegar ao consumidor sustentável.

«O que está por trás do Made In?»

A designer brasileira acredita que a indústria «brinca» com o consumidor. «Vestimo-nos e não questionamos onde a nossa roupa é produzida», explicou. «É preciso mudar o mindset dos industriais e está na hora de o consumidor ser informado sobre os produtos que consome», assumiu. considera que é necessário recodificar o mundo da moda e pensar no «made it better» em vez do «made in: certo país». Na sessão, a designer apontou que a falta de transparência, a competição desleal, o aquecimento global, a poluição, as desiguldades sociais, a descriminação e falta de oportunidades com a automação são os principais desafios que a moda enfrenta atualmente. Para isso, sugere várias soluções: a transparência através do blockchain, a reciclagem de vestuário, a capacitação da mão-de-obra, a inclusão e o investimento em micro empreendedorismo.

Francesca Giobbi vai estar até abril de 2019 a tentar encontrar as melhores parcerias e investidores, desde marcas a fábricas, reunindo assim interessados em envolver-se na plataforma. Em maio, irá lançar um crowdfundig coletivo, através do qual quer capacitar o artesanato brasileiro – que usa nos seus designs – e a indústria portuguesa, para que se criem produtos com total transparência. Passando por feiras internacionais, eventos e palestras, a designer pretende lançar a plataforma em setembro de 2019. Um ano depois, setembro de 2020, é a data apontada por Giobbi para o objetivo mais ambicioso: lançar uma fábrica de prototipagem com materiais e tecnologias ecológicas e uma escola de capacitação.

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