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Publicado em
1 de mar de 2021
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3 Minutos
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“UE tem que deixar de ser ingénua e taxar os produtos da China”

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Jornal T
Publicado em
1 de mar de 2021

Avançar na produção sustentável e taxar a entrada na Europa de têxteis provenientes da Ásia que não cumpram as exigências ambientais, é este o caminho apontado por Mário Jorge Machado numa entrevista de fundo à revista Exame. O presidente da ATP e membro da Euratex dá também conta que, em conjunto com a Comissão Europeia, estão “a definir quais serão as regras para produzir sustentável e também conseguir que a competitividade da produção europeia não seja afetada pelo que é produzido fora”.



Uma da regras já definida a nível europeu é que, “a partir de dezembro de 2024, todos os produtos têxteis vão ter de ser reciclados, não vão poder ser queimados, nem ir para aterro, que é o que acontece hoje. Estão a ser desenvolvidas tecnologias para transformar peças de roupa novamente em fio para voltar a confecionar”, frisa, destacando que este é um aspeto que vai trazer maior competitividade e valor à indústria portuguesa, que tem apostado na produção sustentável, qualidade, design e inovação.

“Portugal está a produzir diferenciação e não produtos básicos indiferenciados. Esses, Portugal já os perdeu quando a China aderiu à Organização Mundial do Comércio, no início do século. Nessa altura, o setor tinha 350 mil trabalhadores. Hoje tem 125 mil. Existiam cerca de 11 mil empresas, hoje são seis mil. Exporta-se tanto em valor quanto se exportava então”, explica Mário Jorge Machado na longa entrevista de quatro páginas que esta segunda-feira chegou às bancas.

Outro vetor importante é o caminho de reindustrialização que os líderes europeus parecem encarar agora como decisivo. “O poder político percebeu finalmente a importância da indústria, fundamental para o crescimento económico da Europa e para a sua sustentabilidade”. Neste aspeto, avança que “a Comissão Europeia está a ouvir os intervenientes, porque quer, no segundo semestre deste ano, lançar a estratégia europeia para o têxtil e vestuário, à imagem do que já fez para as indústrias farmacêutica de plásticos”.

A ideia passa pela “introdução de um QR code, com o qual, no nosso telemóvel, podemos ver a história do fabrico do produto, torna transparente o processo, uma classificação da sustentabilidade para que o consumidor possa fazer uma compra informada”, à imagem do que já acontece quando se compra um eletrodoméstico.

Com isso, “um produto que não cumpra os critérios de sustentabilidade europeus tem de ser taxado para ser vendido na Europa. Haverá uma dupla penalização: a do consumidor e a do legislador. Com isso, conseguiremos ter uma indústria competitiva. É uma estratégia ainda em construção, mas tentamos demonstrar a importância de criar condições para que esta indústria se mantenha na Europa e continue a prosperar”, expõe o presidente da ATP.

“Um produto que sai da Europa para entrar na China, esta exige que seja testado nos laboratórios chineses. E um produto que vem da China e entra na Europa traz um relatório qualquer chinês e é aceite. Esta dualidade de critérios não pode continuar. A Europa tem de deixar de ser ingénua”, avisa, explicando que “não defendemos que existam regras contra a China, defendemos é regras iguais”.

Mário Jorge Machado deixa também a esperança de que se conclua o acordo transatlântico com os EUA, para a abertura do comércio e a diminuição de taxas. Seria uma excelente oportunidade, “porque o têxtil português e europeu é valorizado em todo o mundo, é apreciado por um consumidor chinês, norte-americano, brasileiro ou mexicano”, diz ainda o presidente da ATP.

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