200 milhões para criar Academia Industrial em Guimarães

Pelo menos 33 empresas, a grande maioria do setor têxtil, vão ser parceiras da Câmara de Guimarães e da Universidade do Minho num projeto conjunto para a criação de uma Academia Industrial nesta região, que representa um investimento de 200 milhões de euros.


O projeto será apresentado nas próximas semanas em Lisboa ao ministro do Planeamento, Pedro Marques, que tutela os fundos do Portugal 2020, de forma a obter o agrément do Governo liderado por António Costa.

Em declarações à agência noticiosa Lusa, Ricardo Costa (à direita na foto e ao lado do presidente da autarquia numa recente visita à empresa Polopique de Luís Guimarães), vereador com o pelouro do Desenvolvimento Económico na Câmara de Guimarães, disse mesmo que os parceiros da futura Academia Industrial pretendem que o projeto seja integrado já no Portugal 2020 ou, em última análise, que entre no próximo quadro comunitário que termina em 2030.

Marta Mota Prego, arquitecta e chefe da divisão de Desenvolvimento Económico da Câmara de Guimarães, adiantou ao T Jornal que “o número das 33 empresas que serão parceiras ainda não é um número fechado”, já que o município pretende que todas as empresas que integram o Guimarães Marca (51) venham a participar no projeto, tal como acontece com as atuais 33, também elas associadas deste programa de apoio ao tecido empresarial que foi lançado há alguns anos pela autarquia vimaranense.

Com a criação da Academia industrial, a Câmara de Guimarães pretende daqui a quatro anos duplicar o “peso positivo” de empresas do concelho na balança comercial do país.

Nas já citadas declarações à Lusa, o vereador Ricardo Costa explicou que a Academia que Guimarães pretende criar irá assentar em quatro vertentes: qualificação, capacitação, inovação e investigação, propriedade intelectual, patentes e marcas.

“Através de Guimarães Marca, onde existem critérios definidos, queríamos que o Governo, através de parcerias neste triângulo perfeito Governo, poder local e indústrias, nesta academia, fazer parcerias para reconverter recursos humanos, capacitar e consciencializar as empresas para que é este o momento, quando as coisas estão bem, que estamos a crescer, que podemos inovar de forma constante para voltarmos a crescer”, salientou.

“As empresas Guimarães Marca são 51. Têm um volume de negócios de 500 milhões de euros, exportam 348 milhões, têm um saldo comercial positivo de cerca de 200 milhões, e contribuem positivamente para a balança comercial do país”, apontou o vereador.

Ricardo Costa descreveu que o objetivo é “ajudar a inovar e a crescer estas empresas de forma ainda mais constante, capacitando os recursos humanos para que isto daqui a 5 anos possam ser 400 milhões”, salientou. Para isso, o vereador pede o Governo que “olhe com atenção para o projeto”.

“Já tivemos contactos com o Governo, que mostrou interesse, agrado, mas receiam que seja privilegiar A em detrimento de B. O que pedimos é que este projeto seja ainda enquadrado no Portugal 2020 e acredito que se houver vontade politica ainda é possível”, referiu. Caso não seja, deixou um apelo – “que seja já equacionado para o Portugal 2030″.

Numa visita recente a empresas de Guimarães, Domingos Bragança, presidente da Câmara de Guimarães, manifestou o desejo de que a “Escola de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho (UM) seja uma escola de referência europeia e mundial”, lembrando ainda o empenho de ver criada em Guimarães uma Academia Industrial.

“Poderá só haver uma no Norte do País, terá em conta o empreendedorismo para todos os sectores económicos, o investimento terá de ser avultado e vamos convencer os diferentes ministérios, o Governo e o Sr. Primeiro-Ministro a investir, porque, em Guimarães vale a pena investir!”, acrescentou, concluindo: “Temos empresários, temos trabalhadores e um território com uma forte marca industrial que se afirma como Guimarães Marca”, concluiu, no final da iniciativa.

A Universidade do Minho, de resto, assumirá o papel chave de coordenador científico da Academia Industrial, um projeto que terá na criatividade e na inovação os seus principais pilares. E que visa também melhorar a ligação entre o conhecimento científico e a inovação empresarial, de forma a criar riqueza, capacitação científica e tecnológica nas empresas. Mas também afirmar o município como uma região de produção de conhecimento, produtos, serviços e tecnologia “made in Portugal”, que permita atrair e fixar talentos por parte das empresas, permitindo o pagamento de melhores salários.

O projeto a apresentar ao ministro do Planeamento terá uma duração de 30 meses, de 1 de janeiro de 2019 até 30 de junho de 2021. E prevê as seguintes ações programáticas:

–  Investigação, Desenvolvimento e Inovação
apoiar as empresas no desenvolvimento de soluções inovadoras para dar resposta aos desafios dos mercados.

– Potencial Humano
reconversão e qualificação do potencial de modo a desenvolver novas competências.  Novos modelos de organização de trabalho. requalificação de desempregados

– Capacidade Produtiva
investimentos adequados à sua modernização das infraestruturas e capacidades produtivas adequadas à 4ª revolução industrial (I4.0), promovendo a economia digital.

– Propriedade Industrial
estratégias de proteção da propriedade industrial resultante dos projetos de I&D e proteção internacional por patentes.

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