A alternativa indonésia

O governo indonésio estabeleceu o objetivo de aumentar o valor de têxteis e vestuário exportados para os 75 mil milhões de dólares (aproximadamente 64 mil milhões de euros) até 2030, o que significa que esses produtos deverão alcançar uma quota de 5% do mercado global.

A Indonésia precisa de superar grandes desafios para atingir essa meta, mas mesmo com gigantes como a China e a Índia como vizinhos, o país diversificado e dinâmico de 260 milhões de pessoas não pode ser ignorado, analisa o portal The Business of Fashion.


Na verdade, de acordo com a PwC, a indústria é um dos principais fatores contribuintes para a previsão de que a Indonésia se irá assumir como a quinta maior economia do mundo dentro de 12 anos, subindo do 16.º lugar e superando o Brasil, a Rússia e Alemanha.

«A produção de vestuário na Indonésia desempenhará um papel importante no futuro do país nos próximos 20 anos», afirmou Anne Sutanto, diretora-executiva da Pan Brother Tex, uma das maiores empresas indonésias que tem a Uniqlo e a Asics como clientes.

«Não há dúvida de que a Indonésia, com a sua vasta população, terá uma grande influência tanto na confeção como no aprovisionamento. Esta indústria vai ter um efeito multiplicador e dar um grande impulso à economia, desde que o governo esteja disposto a ver essa indústria de mão de obra intensiva como pilar do crescimento», explicou.

Uma das subsidiárias da Pan Brother Tex, a Hollit International, sediada em Java, reúne, sob o mesmo teto, o desenvolvimento de produtos, o aprovisionamento de materiais e a produção. A Hollit conta com a Prada, Ralph Lauren, Brooks Brothers, Guess, Lacoste e Next como clientes.

Embora a China continue a ser a maior potência da região, a Indonésia tem vindo a beneficiar dos crescentes custos de mão de obra na China, incentivando as empresas a deslocalizar-se dentro da região. Tal como a China, a Indonésia tem a vantagem de uma cadeia de aprovisionamento doméstica de matérias-primas, uma força de trabalho em crescimento e uma economia que está em transição da classe baixa para a média. Ao contrário da China, no entanto, a Indonésia está integrada na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Além disso, as empresas produtoras indonésias têm vindo a sofisticar e diversificar processos, com operações verticais de fiação, tecelagem, estamparia e confeção de vestuário – tornando-os um destino único para as marcas internacionais.

Um desses exemplos é uma gigantesca empresa sediada em Java denominada Sritex, que produz 8 milhões de peças de vestuário por ano e se orgulha de uma carteira de clientes, de longa data, que inclui a Uniqlo, Guess e H&M.
Outros grandes players do sector são a Eratex Djaja, Evershine Tex, Kahatex, Argo Manuunggal Group, Pan Brothers, Busana Apparel e Binabusan.

Moda rápida e sportswear

Segundo a diretora de produção global da H&M, Helena Helmersson, a empresa sueca mostra-se otimista em continuar a expansão na Indonésia e em estabelecer uma presença de longo prazo no país. «A vantagem da produção na Indonésia é a grande mistura de moda, preço e sustentabilidade», apontou.

Hoje, os maiores compradores internacionais na Indonésia são gigantes de moda rápida ou marcas de designer.
Devido aos investimentos em tecnologia, inovação e formação, a Indonésia está a ser, cada vez mais, percebida como destino de aprovisionamento para produtos com valor acrescentado.

Graças à sua força de trabalho (é o quarto país com maior densidade populacional do mundo), a Indonésia tem outra vantagem sobre os vizinhos do Sudeste Asiático – existem mais de 3.000 fabricantes de vestuário na Indonésia.

A produção de vestuário e calçado desportivo em grande escala tem permitido que grandes marcas multinacionais – Adidas, Mizune, Asics, New Balance, Nike, Pentland e Puma –sejam capazes de responder à procura global e também expandir-se para novos mercados.

A par disso, o governo de Joko Widodo tem vindo a aprovar muitos projetos de infraestruturas e a reduzir a burocracia para facilitar negócios. A Indonésia tem já um acordo de livre comércio com o Japão, que levou dezenas de marcas japonesas a produzirem no país.

A confiança dos investidores é ainda encorajada pelo facto de marcas globais como a Nike identificarem o país como um dos seus maiores destinos de aprovisionamento.

A Adis Dimension Footwear, unidade indonésia da gigante desportiva norte-americana, tem uma fábrica em Tangerang, Java, com uma capacidade produtiva de 20 milhões de pares de sapatilhas por ano. Em 2015, a empresa anunciou a criação de uma nova fábrica de 60 milhões de dólares, com uma capacidade de produção de 10 milhões de pares por ano. Cerca de metade das matérias-primas é de origem nacional – uma grande vantagem em termos de custo e logística.

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