A nova história de amor anglo-saxónica da Christian Dior

Nenhum estilista francês amou tanto a Grã-Bretanha quanto Christian Dior. Uma história de amor revivida na terça-feira (26) pela sua sucessora italiana, Maria Grazia Chiuri, numa coleção inspirada em Teddy Girl.


Dior - outono-inverno 2019 - Paris - Moda feminina - Foto: Dior

Vestidos e feminismo, por assim dizer: um encontro acertado entre a feminilidade high-end da Dior, artistas feministas contemporâneas e frequentadoras de festas do pós-guerra na Grã-Bretanha dos anos 50.

A coleção foi inspirada na sua visita à recente exposição "Christian Dior: Créateur de Rêves” (Christian Dior: Criador de Sonhos), no museu V&A, em Londres, que incluiu uma sala especial dedicada ao profundo apreço que Monsieur Dior tinha pela Grã-Bretanha - e expôs o vestido que este criou para o 21º aniversário da Princesa Margaret em 1951, que esta usou quando foi fotografada por Cecil Beaton.

"Margaret sempre foi uma princesa rebelde. Escolher Dior em vez de um designer britânico foi uma verdadeira rebelião na época. E isso fez-me pensar", explicou Maria Grazia Chiuri numa antevisão do desfile.
 
O resultado foi uma reunião de códigos Dior com tecidos modernos e referências dos anos 50. Como os grandes e ousados tartans vermelho e verde intenso que as Teddy Girls adoravam, vistos no documentário de culto com o mesmo nome, mas feitos em tecidos e acabamentos de alta tecnologia e complementados por vestidos combinando associações sedutoras de tule e tartan. E até uma série de chapéus, cloche ou de praia, todos com logótipos da Dior na parte interna.

Maria Grazia Chiuri inventou também uma variação mais masculina do blazer Bar: a invenção mais lendária de Monsieur em alfaiataria. Versões em xadrez, em cinza Dior ou denim antracite escuro. Outra versão britânica inteligente foi a saia tartan vermelha do clã Stewart, usada com uma t-shirt com a frase: "Sisterhood is Powerful”.


Dior - outono-inverno 2019 - Paris - Moda feminina - Foto: Dior

Dava para perceber que a designer passou muito tempo em Londres, onde tem um apartamento, e onde Rachele, a sua filha mais velha, estuda artes há cinco anos, na escola Goldsmiths, da University of London.

O cenário, a colaboração mais recente e impressionante com o cenógrafo Alex de Betak, era uma tenda branca gigantesca com imagens dramáticas de Tomaso Binga, uma artista italiana famosa pelo seu alfabeto, composto por fotos nuas suas em forma de letras. Quatro delas - as que compõem o nome Dior, claro - estavam na frente da tenda, dentro do jardim do Musée Rodin.
 
Para a noite, Maria Grazia Chiuri propôs vestidos com corte esplêndido, évasés abaixo da cintura, cintados ao mais puro estilo da silhueta Dior, e amarrados artisticamente. Mas, nesta temporada, foram feitos num tafetá técnico, leve como uma pluma.

"Pode colocar estes vestidos numa mala ou num saco de fim de semana e vão manter-se em perfeito estado, mesmo depois de um voo de três horas", disse Maria Grazia Chiuri, amassando uma das peças com as mãos e soltando com um sorriso resplandecente, para mostrar que não amassam.

A mensagem era poderosa, mas um pouco repetitiva: foram apresentadas mais de uma dezena de saias com comprimento até ao meio da barriga da perna. Mas, em termos de expressão de uma moda contemporânea com um toque feminista e uma verdadeira credibilidade comercial, foi uma demonstração impressionante da estilista romana.


Dior - outono-inverno 2019 - Paris - Moda feminina - Foto: Dior

"Esta é a sua melhor coleção para a maison. Acredito realmente  que está a evoluir muito", disse um relaxado e sorridente Bernard Arnault - o barão do luxo que controla o grupo LVMH, ao qual pertence a Dior.

Enfatizando o poder da marca, a primeira fila do desfile da Dior estava repleta de mulheres famosas, como Jennifer Lawrence, Olivia Palermo, Natalia Vodianova, Kat Graham, Morgane Polanski, Gemma Arterton, Charlotte Le Bon, Freya Mavor, Olivia Culpo, Bebe Vio e Eva Herzigova.

Maria Grazia Chiuri concentrou-se bastante na linha da cintura para criar uma série de cintos cuja parte da frente parecia uma bolsa saddle da Dior achatada e a parte de trás apresentava fivelas sugestivas, para um toque ousado. E brincou com referências internas, como o famoso casaco de couro preto criado por Yves Saint Laurent para a sua última coleção na Dior, que na altura era uma alusão aos “blousons noirs” da França dos anos 50.

“Não penso em mim como a couturier da Christian Dior. Não acho que muitas pessoas se lembrem que foi Gianfranco Ferré quem desenvolveu a carteira Lady Dior. É uma marca que existe nas mentes e memórias de milhões de pessoas, independentemente de qualquer um dos seus designers. Por isso, também me vejo como a curadora de uma marca única e maravilhosa”, concluiu Maria Grazia Chiuri.

Num gesto elegante, o programa do desfile observou que o espetáculo foi "em homenagem ao alquimista da elegância e da beleza, Karl Lagerfeld".

Traduzido por Novello Dariella

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