A realeza punk da Givenchy

Clare Waight Keller deve ser atualmente a mais poderosa criadora de imagens da alta costura. A sua coleção mais recente, inspirada na imagem de um pássaro preso dentro de um castelo gigante, foi uma dura declaração poética que a confirmou como uma couturier hábil e de grande importância.


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Givenchy - Alta Costura - Paris - © PixelFormula

A sua coleção intitulada "Noblesse Radicale" foi vista num mood board que incluía punks elegantes com perfurações, mobiliário italiano dos anos 70, Johnny Rotten em tartan, unicórnios medievais e pinturas a óleo da rainha Elizabeth I.
 
Na terça-feira à noite, Waight Keller apresentou o desfile com aprumo no espaço de exposição do Museu de Artes Decorativas do Louvre, onde acrescentou cortinas de 25 metros de altura e gigantescas luzes penduradas. A seleção musical, tal como as roupas, foi temperamental, da banda sonora original de Alexandre Desplat de A Árvore da Vida ao histriónico Dance VIII de Philip Glass no final do desfile.
 
Metade dos looks transmitiam a ideia de que quanto mais plumas e folhos melhor: avestruzes em ziguezague numa saia lápis, um galinheiro com plumas esmagadas num vestido de flamenco, ou um fantástico casaco de homem dividido verticalmente com plumas de cisne de um lado e corvo preto no outro.


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Givenchy - Alta Costura - Paris - © PixelFormula

O elenco transmitia uma ideia de senhora louca, reforçada pelos penteados retorcidos e espetados ao estilo de Keith Flint, dos Prodigy, ou enormes extensões de cabelo que lembravam asas quebradas.
 
A designer britânica recebeu uma impressionante ovação no final após ter apresentado um divino vestido envelope em espinha de peixe e padrão houndstooth e um par de vestidos românticos em jacquard.
 
Num desfile misto, os rapazes Waight Keller eram muito mais experientes e polidos - com smoking branco de dupla abotoadura Bryan Ferry, poetas com camisas com folhos de caxemira e um fantástico casaco prateado de Marajá que deverá ser usado para receber um Grammy este inverno.


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Givenchy - outono-inverno 2019 - Alta Costura - Paris - © PixelFormula

"Queria personagens anarquistas, com os cabelos e os chapéus. Esta ideia de um pássaro que fica preso numa casa e depois encontra esses diferentes elementos. E, finalmente, todos estes jacquards de A Árvore da Vida, a partir de tecidos indianos dos séculos XVII e XVIII. Pegar nesses padrões e tecê-los em bordados", explicou uma extremamente segura Waight Keller.

Numa palavra, uma couturier que controla bem o seu atelier, as suas coleções, a sua marca e a sua maison, criando uma alta costura imaginativa que, sem dúvida, teria deixado Hubert de Givenchy orgulhoso.

Traduzido por Estela Ataíde

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