A revolução das malhas nacionais

Fios de cerâmica, propriedades fosforescentes e acabamentos especiais são algumas das inovações incorporadas nos desenvolvimentos tricotados pela LMA, Island Cosmos, NGS Malhas, Tintex ou Trimalhas para enlaçar mais fortemente o negócio aquém e além-fronteiras.


As propostas de malhas para a primavera-verão 2019 não só estão em linha com as tendências de moda e com a crescente preocupação com o meio ambiente, incluindo diversos critérios de sustentabilidade, como são cada vez mais inovadoras em todos os seus aspetos.

Na LMA, que emprega 50 pessoas e, em 2017, registou um crescimento de 30%, as malhas pensadas para as camadas de base incluem fios de cerâmica para “recarregar as baterias” dos atletas. «Estes fios são considerados baterias extra, ou seja, esta tecnologia diz que um corredor consegue correr mais um quilómetro», explica a CEO Alexandra Araújo, adiantando que a mesma poderá ser aplicada «tanto em leggings muito justos como em camisolas de manga comprida».

Na Island Cosmos, a lã está em evidência, nomeadamente com um produto revestido, assim como diversos artigos em poliéster – incluindo nas versões reciclável e de alta performance – e poliamida. Em destaque nas novas propostas da empresa está ainda um artigo especial em algodão tricotado em tear ketten, «que é raríssimo», garante a CEO Fernanda Valente. «Mais do que o produto, estou a vender o conhecimento. Tenho 36 anos de conhecimento têxtil, de todas as áreas», sublinha.

Conhecimento faz igualmente parte dos predicados da NGS Malhas, que oferece uma malha com uma estrutura respirável para desporto, com uma composição «que lhe dá bastante resistência e faz uma boa gestão de humidade», revela Nuno Cunha e Silva. A empresa, que está a investir na área da tinturaria para reforçar a sua coleção de malhas técnicas – que apresentou pela primeira vez para a primavera7verão 2019 – conta também no portefólio com malhas com drirealease e opções com matérias-primas recicladas. «Temos uma ferramenta muito importante nas nossas mãos, que é o tingimento e o acabamento, e então decidimos avançar nos técnicos», justifica o administrador.

Na Tintex, a sustentabilidade tem sido a palavra-chave na empresa, que além do enobrecimento da malha, com o qual ganhou nome no mercado, investiu nos últimos dois anos na tricotagem. «Entre o fim de 2017 e de 2018 investiremos cerca de 600 mil euros em novas máquinas de tricotagem», especialmente para jogos finos, revela o CEO Mário Jorge Silva, explicando que este investimento irá permitir atingir uma produção de 700 toneladas anuais. Este ano, a Tintex, que em 2017 registou um volume de negócios de 11 milhões de euros, venceu diversos prémios com a sua aposta na inovação. No Ispo Textrends Forum destacou-se um produto em malha jersey em algodão Better Cotton Initiative e elastano, com base em cortiça, feita com desperdícios da produção de rolhas, e com um revestimento que lhe confere repelência à água e respirabilidade. Já na Munich Fabric Start arrecadou o terceiro lugar do Hightex Award com uma malha «em que juntámos algodão reciclado, que integra um processo inovador ao nível da formação da fibra e posterior transformação para fio e malha, e incorporámos elastano reciclado, usando a única tecnologia no mundo de uma empresa que o faz. A parcerias com duas empresas – a Marchi&Fildi, para o fio Ecotec, e a Asahi Kasei, para o elastano Roica – permitiu-nos fazer algo realmente diferenciador. Combinando estas duas fibras numa estrutura de malha bastante elástica, com uma resiliência espetacular e com um toque realmente interessante, temos um produto diferenciador», afirma Ricardo Silva, administrador da Tintex.

Também nas propostas da Trimalhas, a sustentabilidade conjuga-se com inovação. A empresa, que emprega diretamente 75 pessoas e tem como objetivo para 2018 chegar aos 15 milhões de euros de faturação, sugere para a estação quente do próximo ano uma malha reciclada respirável e com absorção da transpiração, ideal para desporto, e uma malha com fios fosforescentes, capazes de absorver luz natural ou artificial e brilhar no escuro. «Não é um efeito permanente mas dura cerca de 30 a 40 minutos. E está no fio, não sai com as lavagens. Não é propriamente uma malha refletora mas tem esta característica e esta inovação no fio e tem um acabamento diferente mais atrativo», adianta Patrícia Guimarães, responsável de marketing e expansão internacional da Trimalhas. «O mercado é cada vez mais exigente e nós temos de estar à altura dele», conclui Patrícia Guimarães.

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