Adidas e Reebok no pódio da transparência

As duas marcas desportivas são, de acordo com um novo ranking, o bom exemplo no que diz respeito à transparência das suas práticas sociais e ambientais. O Fashion Transparency Index analisou 150 marcas e colocou a Adidas e a Reebok no pódio.


Organizado pela Fashion Revolution, associação britânica sem fins lucrativos fundada após o colapso, em abril 2013, do complexo têxtil Rana Plaza, no Bangladesh, o Fashion Transparency Index foi lançado em plena Fashion Revolution Week, que se iniciou no passado dia 23 de abril e se prolonga até dia 29. A Fashion Revolution aproveita esta semana para encorajar os consumidores a perguntarem às marcas “Quem fez a minha roupa?”, exigindo transparência na cadeia de aprovisionamento da indústria da moda.

No novo ranking, a Adidas e a Reebok tiveram uma pontuação de 58%, ficando à frente da Puma, H&M, Esprit, Banana Republic, Gap, Old Navy, C&A e Marks & Spencer, marcas que completaram o top 10, todas com uma pontuação entre 51% e 60%, dentro dos 250 pontos possíveis.

No grupo dos maus alunos ficaram a Christian Dior, a Dolce & Gabbana e a Chanel, cujos negócios surgiram entre os menos transparentes quando se trata de condições de trabalho nas cadeias de aprovisionamento, de acordo com o relatório. A Dior não tem revelado praticamente nada sobre a origem dos seus produtos, segundo o Fashion Transparency Index deste ano, enquanto a D&G, Chanel, Marc Jacobs, Versace e a Giorgio Armani conseguiram menos de 10% do total de pontos possíveis.

A Fashion Revolution reconheceu as melhorias da indústria, observando que as 100 marcas analisadas em 2017 acusaram agora uma melhoria geral de 5% nos níveis de transparência. A pontuação média de transparência para as empresas analisadas em 2018 foi de 21%. No entanto, o ranking indicou também que há muitas marcas em falta no que diz respeito à publicação da lista de fornecedores.

«Ficou claro que as mudanças não chegaram e que a mudança não está a acontecer suficientemente rápido. A maioria das empresas ainda mantém as mesmas práticas que permitiram que o acidente do Rana Plaza acontecesse há cinco anos», conclui o relatório.

Os dados agora publicados pela associação mostraram que 55% das marcas e retalhistas divulgaram prazos e metas em relação ao meio ambiente, enquanto 37% publicaram metas no campo da proteção e respeito pelos direitos humanos.

Ainda em destaque na lista dos bons alunos da turma da transparência ficou a Asos, em 11.º lugar, com uma pontuação de 50%. No grupo das empresas que pontuaram entre 41% e 50% entraram ainda a Levi Strauss, North Face, Timberland, Vans e a Wrangler e a Bershka, Massimo Dutti, Pull & Bear, Stradivarius e Zara.

A diretora de operações globais e fundadora da Fashion Revolution, Carry Somers, sublinhou que «nos últimos cinco anos, milhões de consumidores exigiram uma indústria mais justa, segura e limpa». «Está a funcionar. Podemos ver que as marcas estão a ouvir e que a indústria está a começar a mudar», acrescentou.

A primeira edição do Fashion Transparency Index foi lançada em abril de 2016 e atribuiu pontuação a 40 das maiores marcas mundiais de moda, desde então, cresceu até às 150 marcas.

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