Albino, Vanotti, Arbesser: abram alas para a nova geração do Made in Italy

Antes de ceder o lugar aos tenores, como a Gucci, três designers da nova geração do Made in Italy abriram o baile na quarta-feira de manhã, o primeiro de desfiles em Milão. Albino Teodoro, Lucio Vanotti e Arthur Arbesser apresentaram, cada um com o seu estilo bem definido, três coleções muito interessantes para o outono-inverno 2018/19.

O casaco-vestido de Albino Teodoro - PixelFormula

O mais velho entre eles, Albino D’Amato, fez o seu regresso à passarela milanesa no ano passado com a sua linha de prêt-à-porter renomeada Albino Teodoro. Após ter criado a Maison Albino em 2004, o estilista, formado pela Chambre Syndicale de la Couture, restruturou a sua atividade em 2014, assumindo o controlo da sua produção e distribuição. Atualmente, a sua marca é vendida através de cerca de 70 clientes multimarca. A sua coleção distingue-se por um belo domínio de cortes, misturando habilmente clássico e contemporâneo.
 
“Inspirei-me nos movimentos artísticos contemporâneos, que descontextualizam as obras do passado colocando-as num contexto moderno. Então, comecei com os conceitos básicos de couture, jogando com os volumes e as formas, e com misturas de materiais com tecidos masculinos, cetim duplo, jacquards”, explicou o designer no backstage.
 
Na verdade, os contrastes estão por todo o lado nesta coleção, onde as mulheres enluvadas usam sandálias de salto com meias em tecido tartan. Os martingais dos casacos são desproporcionais e em tons opostos, vestidos amplos em cetim brilhante de grande simplicidade alternam com conjuntos de brocado ao estilo tapeçaria com mangas bouffantes.
 
As tiras internas penduram nos ombros os vestidos e blusões maxi, mas também um desses ricos casacos em jacquard transformado em vestido de alças. “Por um lado, há um trabalho de construção para permitir uma dupla utilização da peça de vestuário. Mas, eu queria sobretudo oferecer à mulher outras formas de usar a roupa, dando uma aparência mais jovem a certas peças”, sublinha o designer.


O conjunto "denim" em lã inglesa de Lucio Vanotti - PixelFormula

Lucio Vanotti, que o sucede, surpreende ao utilizar nesta temporada uma paleta muito colorida. E foi bem-sucedido! Conhecido pela sua moda sem restrições, com uma elegância natural e roupa unissexo de estilo minimalista, o criador propõe pela primeira vez uma série de peças monocromáticas em tons vivos: laranja, rosa choque, azul elétrico, ferrugem, amarelo.

Foi o uniforme, em todas as suas formas (desportivo, de trabalho, roupa clássica, etc.), que o designer quis reinterpretar, como nos contou no backstage: “Peguei nos códigos mais imediatos de diferentes uniformes, como a cor e o conforto do mundo desportivo, a elegância e a pesquisa dos tecidos do universo clássico, mas exasperando tudo, das formas às cores.”
 
O guarda-roupa para homem e mulher projetado pelo designer revê também o clássico fato de mecânico, com fechos-éclair na frente e nos bolsos, o fato de treino, ou ainda o tradicional fato Príncipe de Gales. Neste caso, as proporções das calças são retrabalhadas com um gancho muito baixo para os homens, enquanto a mulher usa uma saia, que não é mais que a parte inferior do casaco Príncipe de Gales. Para ele e para ela, é essencial a camisa de algodão com riscas azuis, enquanto os sapatos são rigorosamente brancos.
 
Quanto ao tradicional fato em veludo, este transforma-se num fato de calça castanho para mulher, com um casaco de proporções masculinas e sem lapelas. Outra bela descoberta: a releitura dos jeans, com quatro peças em efeito denim em tons de laranja (o vestido jardineira, a saia de comprimento médio, as calças e o casaco) na verdade feitas em lã inglesa. Camisolas e vestidos-sweater caem sobre o corpo num cromatismo explosivo.


Arthur Arbesser presta homenagem a Viena - DR

O último designer do trio, Arthur Arbesser, é um dos novos talentos estrangeiros que fizeram de Milão a sua casa, cidade onde em 2013 criou a sua marca de prêt-à-porter feminino e onde desfila. Nesta temporada, o designer quis dedicar a sua coleção a Viena, a sua cidade natal, inspirando-se nos pintores da Secessão de Viena.
 
Este vestiário vienense brilha com botas coloridas envernizadas ou douradas e muitas peças de lurex com efeito metálico. É composto por vestidos de comprimento médio ligeiramente évasées, saias longas plissadas ou com fendas, e tailleurs com estampados geométricos – arcos, losangos, faixas, etc. – inspirados em detalhes arquitetónicos e outros objetos desenvolvidos nas artes aplicadas no final do século XIX, em Viena, da cerâmica ao mobiliário, do vidro soprado às tapeçarias.
 
Grandes flores abstratas agarram um vestido ou espalham-se sobre um casaco com grandes golpes de pincel. “Cada look é uma reminiscência de um quadro que combina elegância e gosto artístico” comenta no final do desfile o estilista, que empregou a malha, a lã impressa e os tecidos típicos da Secessão de Viena. A empresa têxtil Backhausen, especializada em tecidos para estofar mobiliário, reeditou para a ocasião tecidos dos seus arquivos em materiais adaptados ao vestuário, como a lã ou a seda.

Traduzido por Estela Ataíde

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