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Portugal Textil
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29 de set de 2020
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Algodão orgânico em rota crescente

Por
Portugal Textil
Publicado em
29 de set de 2020

O ano passado foi quase um recorde para o algodão orgânico, com a colheita de cerca de 240 mil toneladas a ficar apenas atrás do ano de 2009/2010. E apesar da incerteza que paira no mercado, a Textile Exchange antecipa um novo crescimento em 2019/2020.


©TextileExchange


A produção de algodão orgânico subiu 31% na colheita de 2018/2019. De acordo com o relatório 2020 Organic Cotton Market da Textile Exchange, o ano passado foi a segunda maior colheita em registo – a maior foi em 2009/2010. As entidades com certificação em têxteis orgânicos aumentaram também significativamente entre 2018 e 2019: mais 48% com o Organic Content Standard (OCS) e mais 35% para o Global Organic Textile Standard (GOTS).

Embora o número de países que estão a cultivar algodão orgânico tenha permanecido o mesmo no ano passado, a lista mudou ligeiramente, com o Senegal a sair da certificação e o Paquistão a entrar com a sua primeira colheita de produção certificada em 2018/2019. Os principais países produtores de algodão orgânico mantiveram-se os mesmos, apesar da Tanzânia ter ficado marginalmente à frente dos EUA como sexto maior produtor.

De acordo com o relatório, 97% do algodão orgânico é produzido em sete países: Índia (51%), China (17%), Quirguistão (10%), Turquia (10%), Tajiquistão (5%), Tanzânia (2%) e EUA (2%).

Os resultados mostram que 222.134 agricultores cultivaram 239.787 toneladas de algodão orgânico em 19 países, utilizando 418.935 hectares de terra. Além disso, 55.833 hectares de solo estavam em conversão para a plantação de algodão orgânico, sobretudo na Índia e no Paquistão, seguidos da Turquia, Grécia e Tajiquistão.

Incerteza no caminho

«Nós, como indústria, temos de passar a linha de minimizar os efeitos nefastos para maximizar os impactos positivos», afirma La Rhea Pepper, diretora-geral da Textile Exchange, na introdução do relatório. «Isto significa investimentos mais fortes na construção dos solos, ecossistemas e biodiversidade. Precisamos de verdadeiramente abraçar e apoiar práticas regenerativas para cumprirmos a promessa de um mundo transformado», explica.

Em termos futuros, as estimativas pré-Covid apontam para um crescimento de mais 10% da produção de algodão orgânico em 2019/2020.

«Nos próximos meses, talvez até anos, o planeamento dos negócios e das relações serão desafiantes e difíceis de prever. Para os agricultores de algodão, essa imprevisibilidade vai impactar o próximo ciclo de cultivo e, para os produtores têxteis, marcas e retalhistas, o próximo ciclo de captação e consumo», refere Liesl Truscott, diretora da estratégia para a Europa e materiais da Textile Exchange, no relatório. «Uma coisa que é certa é que o “novo normal” vai exigir muito mais transparência e a partilha de riscos e recompensas numa altura em que coletivamente aspiramos à ação climática, assim como a outros 16 objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas. Comunicação e confiança serão essenciais», destaca.

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