Algodão prepara novo recorde

Na época 2018/2019, o mercado mundial de algodão deverá crescer pelo terceiro ano consecutivo, atingindo o valor mais alto dos últimos seis anos. O incremento deve-se a uma maior procura por parte de países não produtores, como o Bangladesh ou o Vietname, e a uma recuperação da fiação de algodão na China.


As últimas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), reveladas pelo just-style.com, apontam para um crescimento de 2% no mercado do algodão em 2018/2019 em relação à época anterior. As trocas comerciais atingiram os 41,7 milhões de fardos em 2018/2019 – 700 mil fardos acima da época anterior – mas ainda estão 4,7 milhões de fardos abaixo do recorde atingido há seis anos, em 2012/2013.

Além do aumento da procura no Bangladesh e no Vietname, estima-se que as importações subam, uma vez mais, para a China, um dos países com mais produção e fiação de algodão. Vários países produtores/exportadores estão a dar resposta a este incremento da procura, numa altura em que há estimativas de fortes exportações por parte dos EUA, apesar de uma redução em relação a 2017/2018. Além disso, estima-se que as exportações da Índia e Austrália diminuam, em correlação com uma redução na produção. Porém, as exportações do Brasil irão crescer consideravelmente, já que o aumento da produção ao longo das últimas épocas aumentou a quantidade de algodão exportável.

O caso dos EUA

Segundo o relatório de produção de colheitas de dezembro do USDA, a produção de algodão nos EUA deverá atingir os 18,6 milhões de fardos em 2018, uma descida de 11% (2,3 milhões de fardos) em relação à colheita de 2017. Estima-se que a área plantada e a área colhida, nesta época, se fixem nos 14 milhões de hectares e nos 10,4 milhões de hectares, respetivamente, com as más condições climatéricas no sudoeste e no sudeste do país a aumentarem a taxa de abandono nacional para 26%, a mais alta dos últimos cinco anos.

As estimativas de procura por algodão norte-americano, na época 2018/2019, não se alteraram, devendo ficar em 18,3 milhões de fardos, com a previsão de que as exportações se irão fixar nos 15 milhões de fardos e a utilização para fiação irá permanecer nos 3,3 milhões de fardos.

Ainda que se preveja que as exportações de algodão dos EUA registem esta época menos 850 mil fardos do que em 2017/2018, o país deverá manter-se relativamente competitivo no mercado global. Tendo em conta as atuais estimativas comerciais, em 2018/2019, a quota de mercado dos EUA deverá ficar nos 36%, ligeiramente abaixo dos últimos dois anos, devido ao aumento das exportações do Brasil.

A procura por algodão nos EUA não registou alterações desde novembro e, por isso, o aumento de produção em dezembro aumentou os stocks de 2018/2019 em 100 mil fardos, atingindo os 4,4 milhões de fardos. Apesar de estes serem os níveis mais altos de stocks desde 2008/2009, o rácio de utilização está apenas ligeiramente acima dos níveis da última época, refere o USDA.

A perspetiva internacional

Prevê-se que a produção mundial de algodão se fixe nos 118,7 milhões de fardos em 2018/2019, 4% abaixo da última época, com a redução da área de cultivo e da produção a contribuir para esta diminuição. O relatório do USDA estima que a produção de algodão diminua nos principais países produtores, à exceção do Brasil. Na Índia – o maior produtor mundial – a produção poderá atingir os 27,5 milhões de fardos, 5% abaixo dos valores de 2017/2018, devido à diminuição da humidade nas regiões de produção.

Na China, a produção em 2018/2019 deverá fixar-se nos 27 milhões de fardos, 2% abaixo do ano anterior, com uma diminuição na área de cultivo e nas estimativas de produção. Já no Paquistão, estima-se que a produção atinja aos 7,4 milhões de fardos, 10% abaixo dos valores de 2017/2018, sendo esta a menor colheita no país nos últimos três anos. Na Austrália, uma menor área de plantação e a redução da produção baixaram as previsões em cerca de 50%, para 2,5 milhões de fardos, o nível mais baixo dos últimos quatro anos.

Em contrapartida, a produção de algodão no Brasil deverá atingir os 11 milhões de fardos em 2018/2019, um aumento de 19% em relação à época anterior. Condições de cultivo excelentes e preços favoráveis vão fazer com que as plantações cubram uma área de 1,4 milhões de hectares, um valor alcançado na época 2011/2012.

Aumento na fiação mundial

Segundo o relatório, o consumo mundial de algodão em 2018/2019 irá crescer 2%, atingindo um recorde de 125,6 milhões de fardos. Ainda que a taxa de crescimento esteja próxima da média, vem no seguimento do crescimento extraordinário de 6% da última época, que foi alimentado por um panorama económico mundial de crescimento e uma recuperação na fiação de algodão na China.

Para 2017/2018, estima-se que a utilização de algodão nas fiações na China seja de 41 milhões de fardos – um crescimento de 6,5% – e para 2018/2019 prevê-se que se fixe nos 41,5 milhões de fardos, o valor mais alto desde 2010/2011, mas apenas 1,2% acima do ano anterior. A China é líder na fiação de algodão e é o maior fornecedor de têxteis e artigos de vestuário do mundo.

A Índia, o Bangladesh e o Vietname deverão aumentar a utilização de algodão para fiação em 2018/2019, batendo novos recordes, à medida que o têxtil acompanha a economia mundial. Na Índia, a utilização para as fiações chegará aos 25,3 milhões de fardos, um aumento de 2%. No caso do Bangladesh, atingirá os 8 milhões de fardos, um aumento de cerca de 7% em relação à última época. O crescimento na utilização do algodão para a fiação deverá ser de 14% no Vietname, o que poderá fazer com que a utilização de algodão no país atinja os 7,5 milhões de fardos em 2018/2019.

Por outro lado, a utilização de algodão na fiação no Paquistão e na Turquia poderá contar com algumas descidas, de 2% e 5%, respetivamente, fixando-se nos 10,6 milhões de fardos e nos 7 milhões de fardos, respetivamente.

Stocks mundiais diminuem

Face a estes números, os stocks mundiais de algodão deverão atingir os 73,2 milhões de fardos no final de 2018/2019, em comparação com os 80,4 milhões da época anterior e um recorde de 106,9 milhões em 2014/2015.

O relatório do USDA refere que os stocks mundiais irão diminuir em vários países nesta época, mas serão condicionados, uma vez mais, pela redução na China. Os stocks finais para 2018/2019 na China deverão ficar nos 30,4 milhões de fardos, uma redução de 20% em relação à época anterior. Embora a China continue a diminuir os  seus stocks, no final da época estima-se que detenha ainda cerca de 40% do total mundial.

As descidas nos stocks serão visíveis igualmente na Índia e no Paquistão. Na Índia, os stocks deverão diminuir em cerca de 600 mil fardos, para quase 8,1 milhões, enquanto no Paquistão o inventário estimado de algodão deverá descer cerca de 500 mil fardos, atingindo os 2,4 milhões – uma descida que resulta maioritariamente de uma menor colheita.

Já os stocks nos EUA e no Brasil deverão crescer, com o inventário do Brasil a subir 20% até 31 de julho de 2019, para 10,4 milhões de fardos, fazendo deste o segundo maior detentor de stock, com cerca de 14% do stock mundial de algodão nesta época. Apesar de a estimativa ser de que os stocks mundiais de algodão irão atingir os seus níveis mais baixos desde 2011/12 e o rácio de utilização dos stocks esteja nos valores mais baixos dos últimos oito anos, os stocks existentes fora da China em 2018/2019 deverão aumentar em termos anos. Consequentemente, estima-se que o índice de preços do Cotlook A diminua ligeiramente, em relação à média de 88 cêntimos de 2017/2018, mas se mantenha perto dos preços mais altos dos últimos cinco anos.

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