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EFE
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
14 de mar. de 2022
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3 Minutos
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Allegra Gucci rompe silêncio 27 anos após assassinato do pai

Por
EFE
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
14 de mar. de 2022

Allegra Gucci, filha de Maurizio Gucci, morto em 1995 por assassínio, num crime pelo qual a sua mãe, Patrizia Reggiani, foi condenada por o ordenar, quebrou o silêncio 27 anos após a tragédia na família da lendária empresa de moda com um livro lançado nesta segunda-feira (14 de março).


Gucci - DR


"O assassinato do meu pai e a prisão da minha mãe foram um tsunami para mim", contou Allegra à revista Vanity Fair, dizendo estar disposta a trazer "'a verdade finalmente à tona': eu tinha 14 anos e a onda gigante varreu-me, naquele momento eu estava apenas a procurar uma bolha para respirar enquanto havia tubarões ao meu redor".

Agora, com o livro "Fine dei Giochi" (Fim dos Jogos, tradução à letra) Alegra quer dar um fim a todas as "conjeturas e imprecisões" da sua trágica história, que acabou por ser tema de um filme contracenado por Lady Gaga, "House of Gucci" e dirigido por Ridley Scott.

"Escrevi este livro porque tenho dois filhos pequenos. Vendo todo o barulho em torno do filme 'House of Gucci', não queria que crescessem sem saber a verdade. Reconstruí as lembranças peça por peça. Às vezes senti dor, às vezes uma sensação de libertação", explica Allegra, de 41 anos.

O livro é a "minha carta para o meu pai Maurizio. Porque está sempre aqui", diz Allegra, que relata tudo, desde o conhecimento da morte do seu pai em 27 de março de 1995 até ao seu próprio relacionamento com a esposa dele, passando pela difícil relação com a mãe e o corte de "hipócritas, bajuladores, ladrões, conselheiros fraudulentos e semeadores de discórdia".

Noutra entrevista,  ao jornal Corriere della Sera, Allegra diz que a sua mãe é uma "mariposa ao contrário, atraída pelas sombras". Ficou conhecida como a "viúva negra" e passou 18 anos na prisão de San Vittore, em Milão, à qual se referia como "residência de Victor" e da qual ela nunca quis sair, embora tenha sido libertada em 2017, como a mesma reconheceu num documentário recente sobre a sua história.

Durante anos, ao visitá-la na prisão, pensou que a sua mãe era inocente  "estava convencida"  até que um dia, na televisão, "fez uma meia admissão. Liguei-lhe e pedi uma explicação. No final, desabafou: 'Tudo o que eu fiz, eu só fiz por ti'. Então descobri que tinha feito alguma coisa. Senti um vazio, perdi o chão, como num abismo". 

Hoje, Allegra tem certeza de que a sua mãe "era uma boa mulher, embora muito vulnerável".

No livro, fala sobre a sua juventude, a qual resume com raiva: "Eu tinha 11 anos quando a minha mãe, Patrizia Reggiani, foi operada a um tumor no cérebro. Eu tinha 14 anos em 1995, quando o meu pai foi assassinado em Milão. Eu era dois anos mais velha quando a minha mãe foi presa e depois condenada como mandatária do seu assassinato".

Allegra garante que a sua vida e a de sua irmã Alessandra sempre estiveram ligadas "àquela fotografia horrível: Maurizio Gucci sem vida, numa poça de sangue no saguão de um prédio da Via Palestro", antes de acrescentar: "Nunca ninguém perguntou o que sentimos".

E reitera que o "gatilho" que a levou a romper o silêncio depois de tanto tempo foi o filme dirigido por Ridley Scott, que descreve como "um terrível desenho animado".

"Devo-o ao meu pai, que já não tem voz, e aos meus dois filhos: gostaria que crescessem e se baseassem nos factos contados pela mãe", assegura.
 

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