Amazon ganha terreno na indústria de vestuário, mas não projeta imagem “de moda”

Um estudo recente da Astound Insights afirma que embora a gigante do comércio eletrónico Amazon.com, Inc., com sede em Seattle, esteja a crescer em popularidade no setor da moda, as suas falhas abrem a porta para que outros retalhistas ampliem a sua quota de mercado.
 

Apenas um em cada quatro inquiridos descreveu a Amazon como "muito na moda" - Instagram: @amazonfashion

O estudo, intitulado "Uma janela para o mundo dos compradores de moda", questionou 1.000 consumidores dos Estados Unidos sobre os seus hábitos de compra de vestuário e daí extraiu algumas conclusões intrigantes relativamente às perceções dos compradores em relação à Amazon.

De facto, a retalhista online parece sofrer de um certo problema de imagem no setor do vestuário, com apenas um em cada quatro inquiridos a descrevê-la como “muito na moda”. O que poderia explicar por que apenas 26% dos inquiridos afirmaram que as marcas próprias de moda da Amazon são um fator que influencia a sua decisão de comprar nesta plataforma e não noutro lugar.
 
Tal como na grande maioria das indústrias em que a retalhista de comércio eletrónico entrou com sucesso e dominou, a Amazon encontra vantagem na conveniência, velocidade e preço. 57% dos inquiridos apontaram a rapidez de entrega como o fator mais importante na sua decisão de comprar num retalhista online ou outro – um facto que abona a favor da Amazon e da sua extensa rede de distribuição -, enquanto 55% identificaram os preços competitivos da plataforma como um fator decisivo.

Além disso, 46% dos compradores afirmaram que preferem pesquisar na Amazon do que em grandes armazéns quando começam a procurar novos produtos, mencionando a sua ampla variedade de produtos e facilidade de navegação como vantagens importantes. Essa navegação inicial, no entanto, não se traduz necessariamente em vendas.
 
A este propósito, grande parte das conclusões do estudo parece apoiar a previsão de um relatório da Coreshight, publicada em fevereiro, que indicava que, apesar de ser mencionada pelos americanos como a sua segunda retalhista de vestuário favorita, a seguir à Walmart, a empresa “corre o risco de ser vista como um ponto de venda de produtos com desconto”.
 
Tudo isto poderia dar esperança a outras empresas do setor, e a Astound também aponta algumas ideias interessantes para que outras lojas de vestuário, tanto online como offline, se possam defender da Amazon.

O estudo confirmou a já muito comentada importância da experiência nos pontos de venda físicos. 59% dos entrevistados afirmaram que tiveram em consideração a visita à loja física no momento de decidir se compravam ou não, enquanto 61% dos consumidores millennial disseram que provavelmente sairiam de uma loja se achassem que a experiência era desinteressante.

No entanto, talvez o mais interessante sejam os comentários da Astound sobre as crescentes tendências tecnológicas.

A crescente popularidade das compras através do telemóvel não surpreende muito (73% dos compradores disseram ter usado dispositivos móveis para pesquisar ou comprar vestuário), mas o estudo também assinalou o crescimento da tecnologia de voz, com 47% dos entrevistados a indicarem que a usavam para navegar como uma parte do seu processo de compra de vestuário e outros 37% a declararem acreditar que a usariam no próximo ano.
 
Os serviços de subscrição, que já conquistaram mais de 11 milhões de utilizadores, também receberam uma menção especial, visto que 36% dos inquiridos confirmaram já ter experimentado este modelo de experiência de compra com curadoria de terceiros.

Estas tendências também poderiam, claro, ser benéficas para a Amazon, que tem dedicado muitos recursos ao desenvolvimento dos seus próprios serviços diferenciados, como o Echo Look, habilitado para Alexa, e o serviço try-before-you-buy (experimentar antes de comprar) Prime Wardrobe.
 
“A tecnologia oferece aos retalhistas uma enorme oportunidade de otimizarem a experiência do consumidor, mas sem uma compreensão detalhada das preferências do seu público-alvo, pode ser muito difícil decidir onde investir tempo e recursos”, declarou Igor Gorin, CEO da Astound Commerce.
 
"Uma experiência de compra sem percalços é uma expectativa entre os compradores de moda, sendo também a chave para manter uma certa vantagem sobre a concorrência e, acima de tudo, sobre a Amazon."

O relatório completo "Uma janela para o mundo dos compradores de moda" está disponível para download no site da Astound Commerce.

Traduzido por Estela Ataíde

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