Apesar da sombra do Brexit, a moda de Londres está a florescer

Se alguém está farto de Londres, está farto do mundo, escreveu Samuel Johnson. Mas, seria difícil sentir outra coisa senão entusiasmo neste fim de semana longo de moda londrina, durante o qual designers de vários países apresentaram ideias brilhantes. Olhemos para cinco que captaram o humor contrastante da capital inglesa. 


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Simone Rocha - primavera-verão 2019 - Moda Feminina - Londres - © PixelFormula

Simone Rocha

As suas origens chinesas estiveram em destaque na Simone Rocha, cujo pai sino-português John é oriundo de Hong Kong.
 
O coração da coleção foi uma série de vestidos em camadas baseados em pinturas de concubinas da dinastia Tang. Rocha encontrou imitações em mercados de antiguidades em Hong Kong e experimentou fazer imitações contemporâneas das imitações.
 
A designer também fez referência ao Ching Ming, a versão chinesa do Dia dos Mortos, uma tradição que a sua família respeita todos os anos, subindo as colinas em Happy Valley para lavar as sepulturas dos seus avós.
 
“Tenho passado muito tempo na Ásia e pensando no meu património, por isso quis fazer referência a isso, mas de forma divertida. Fazendo silhuetas esféricas em alfaiataria e vestidos”, explicou.
 
“Existem dois picos em Hong Kong. Um lado é budista e o outro é católico, por isso nós, naturalmente, caminhamos para o lado direito, já que somos católicos”, disse uma Simone sorridente no backstage da Lancaster House, cujo convite foi uma fotografia de centenas de pessoas a caminharem por Happy Valley.


Nicholas Kirkwood - primavera-verão 2019 - Moda Feminina - Londres - Instagram

Nicholas Kirkwood

Não estamos muito certos sobre a que universo distópico fazia o criador de calçado Nicholas Kirkwood referência na sua apresentação de estreia na passarela, mas o facto é que o resultado foi ótimo.

Com ecrãs de televisão, monitores e computadores suficientes para fazer a épica tournée Zoo TV dos U2 parecer uma oficina de segunda mão, Nicholas apresentou num cenário brilhante a sua mais recente coleção de calçado, complementada por vários looks em branco: matelassé, stretch, micro fibra desportiva e plástico colorido transparente.
 
As imagens eram impressionantes e o calçado também era muito bom - excelentes sapatos de salto alto com saltos inclinados para trás e tiras atléticas; e fabulosas botas punk florais.
 
Uma espécie de homenagem ao poder reconfortante do calçado, caso o seu rumo profissional o leve a ser figurante no filme Bladerunner 2. Portas de frigoríficos abrem e fecham, muitos monitores piscam à medida que o elenco caminha. Em cada ecrã, imagens de 360 graus do calçado e as medidas exatas de cada bota e salto alto.
 
Intitulado Evidence, o desfile também contou com uma atuação ao vivo de uma “hacker positiva” com um nome misteriosamente adequado, “CyFi”, uma californiana californiana de 18 anos que iniciou a sua carreira com apenas 10 anos de idade.


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Preen by Thornton Bregazzi - primavera-verão 2019 - Moda Feminina - Londres - © PixelFormula

Preen by Thornton Bregazzi

Nobreza nómada na Preen, onde as modelos desfilaram sob gigantescas cortinas de nylon branco prateado, como se estivessem a fugir do seu passado. Uma boa opção num desfile no qual a dupla de designers da Preen, Justin Thornton e Thea Bregazzi, se focou em pessoas que vivem sazonalmente e viajam incessantemente.
 
"Estávamos a pensar em ciganos e tribos nómadas africanas", explicou Thornton.
 
“Todos vivemos num mundo ao qual não nos importaríamos de escapar ocasionalmente, daí termos olhado para estas pessoas. Interessam-nos porque não são refugiados, mas sim pessoas que escolhem cruzar fronteiras”, acrescentou Bregazzi.
 
Na passarela, vestidos ao estilo Belle Époque que lembravam os primeiros ciganos a virem para a Europa; ombros com folhos, cobertos com tecido xadrez drapeado, como se do pano da mesa de uma cartomante se tratasse.

Belos vestidos de patchwork com muitos folhos, embora acabados com colares de couro desgastados complementados com medalhões minúsculos; ou fatos com calças de nylon, como se costurados à mão numa caravana a partir de matérias-primas encontradas. Ou blusas xadrez, que mais uma vez pareciam costuradas a partir de uma toalha arrancada da mesa de um restaurante.
 
As modelos desfilaram com maravilhosas botas de caminhada desgastadas, decoradas com com atacadores gros grain e várias correias, como se guardassem as lembranças de todas as viagens dos seus donos.
 
Generosamente, a Preen doou parte das receitas desta estação à Help Refugees, uma organização humanitária de apoios aos refugiados.


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Roksanda - primavera-verão 2019 - Moda Feminina - Londres - © PixelFormula

Roksanda

Elegância etérea moderna na Roksanda, a marca homónima da designer sediada em Londres mais dedicada ao romantismo. O desfile foi organizado no pavilhão Serpentine, dentro da sua instalação arquitetónica anual, que este ano ficou a cargo de Frida Escobedo.

O ponto de partida de Ilinčić foi a tapeçaria de Le Corbusier, não a sua arquitetura, mas sim corpos e formas femininas. Ideias em cerâmica e mobiliário que grandes arquitetos criam para lá do seu trabalho principal.
 
A criadora adicionou bordados feito em três camadas, patchwork e numerais aos seus vestidos lânguidos, tecidos que se assemelhavam a tapeçarias e pregas que eram emborrachadas, mas românticas, e usadas em vestidos dos anos 50. A sua paleta de cores era em grande parte composta por tons de deserto, areia, especiarias, açafrão, papoila e por do sol do Saara.
 
"Não, não era Picasso", embora se parecesse pouco com o seu trabalho.


Zilver by Pedro Lourenço - Aries Collection Presentation One - LondonInstagram

Pedro Lourenço

Outrora um jovem adolescente brasileiro que encenou o seu primeiro desfile aos 20 anos em São Paulo, Pedro Lourenço tem atualmente 28 anos, vive em Londres e é um verdadeiro acontecimento. Nesta temporada, o criador mostrou o seu último conceito, Zilver, revelando as suas ideias numa galeria de arte em Covent Garden.

Redingotes de algodão ecru tratado de corte excelente usados com corpetes e grandes botas de pugilismo futuristas unissexo; ou um brilhante trench coat bege cortado ao meio para fazer uma saia de cintura alta, acompanhada por um casaco verde ao estilo piloto americano.

Casacos Perfecto minimalistas, jeans em denim claro com bainhas maciçamente viradas para cima ou casacos impermeáveis de nylon verde terminados com fechos-éclair compridos que cortavam o tronco de um lado da anca até ao ombro oposto; kilts high-tech de nylon prateado.
 
Tudo exibido numa instalação de vídeo gigante. No entanto, subjacente a tudo, a sensualidade do Brasil e a sua fauna e as montanhas de granito curvilíneas.

Outros modelos traziam consigo uma nova carteira em formato de capacete em cores Pop Art, um item visto em desfiles durante toda a temporada do Reino Unido.

“Eu queria que a apresentação fosse muito básica. Queria mostrar ao retalhista, e ao consumidor, como as roupas deveriam ser usadas”, disse Lourenço, enquanto posava numa moto Zilver de alta tecnologia.
 
Um regresso bem-vindo e brilhante de um talento que valerá sempre a pena conferir.

Traduzido por Estela Ataíde

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